Carta de empresários e economistas deixa Planalto em alerta

Nos bastidores, aliados tentam convencer o presidente Jair Bolsonaro a moderar o tom diante do agravamento da pandemia

Rafaela Lara, da CNN, em São Paulo
22 de março de 2021 às 16:02 | Atualizado 22 de março de 2021 às 16:12

Uma carta, com mais de 500 assinaturas, elaborada por economistas e empresários de que defende medidas urgentes de enfrentamento à pandemia no Brasil deixou o Palácio do Planalto em alerta nesta segunda-feira (22). As informações são da colunista da CNN Daniela Lima.

Nos bastidores, aliados do presidente Jair Bolsonaro tentam convencê-lo de que é necessário adotar um "tom moderado" no discurso sobre as medidas de restrição impostas pelos governos estaduais. 

Dentro e fora do Planalto, aliados ouvidos pela CNN afirmam que é hora de "moderar o tom" diante do agravamento da pandemia e do colapso do sistema de saúde. 

Segundo eles, o presidente compreende a necessidade do momento, mas volta a entrar em contato com grupos mais radicais, como ocorreu neste domingo quando o presidente celebrou seu aniversário ao lado de apoiadores no Palácio da Alvorada, provocou aglomeração e afirmou que governadores estão "esticando a corda"

Fontes ouvidas pela CNN afirmam que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), foi aconselhado a "jogar claro" pela mudança de postura de Bolsonaro. 

O documento “O País Exige Respeito; a Vida Necessita da Ciência e do Bom Governo – Carta Aberta à Sociedade Referente a Medidas de Combate à Pandemia” aponta uma série de impactos econômicos e sociais atribuídos à pandemia e à demora na imunização. 

Entre os signatários estão nomes de peso do mercado financeiro como os ex-ministros da Fazenda Mailson da Nóbrega, Marcilio Marques Moreira, Pedro Malan e Rubens Ricupero; os ex-presidentes do Banco Central Afonso Celso Pastore, Arminio Fraga, Gustavo Loyola, Ilan Goldfajn e Pérsio Arida; e o ex-governador capixaba Paulo Hartung, além de dezenas de acadêmicos e economistas ativos no debate público.

O documento foi enviado às presidências da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Ministério da Economia.