Governo vê 'tom político' em carta de empresários e economistas

O motivo, dizem, é que a maior parte dos signatários já faz oposição a Bolsonaro e é crítica da gestão de Paulo Guedes

Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
22 de março de 2021 às 20:17 | Atualizado 22 de março de 2021 às 21:05

O governo federal avaliou a carta elaborada por economistas e empresários defendendo medidas urgentes de enfrentamento à pandemia no Brasil sob duas óticas: técnica e política. De acordo com interlocutores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), há uma clara contribuição ao debate sobre o combate ao novo coronavírus no país, muito embora a percepção na maior parte da cúpula do governo seja o de um componente político acentuado no documento.

O motivo, dizem, é que a maior parte dos signatários já faz oposição a Bolsonaro e é crítica da gestão de Paulo Guedes. Uma fonte do alto escalão chegou a dizer que é um movimento "tipicamente tucano", um "establishment qualificado que foi desalojado", um "ato de desespero" intensificado pelo retorno do ex-presidente Lula (PT) à arena eleitoral e a consequente polarização entre o petista e Bolsonaro. Avaliam que a grande novidade do texto "é o ato político em si".

Presidente Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro
Foto: Mateus Bonomi/Agif - Agência De Fotografia/Estadão Conteúdo

De fato, dentre os signatários há pessoas que já faziam oposição ao governo. Os seus idealizadores, por exemplo, Thomas Conti, Sandra Rios, Marco Antonio Bonomo e Claudio Frischtak são economistas que estavam nas eleições de 2018 auxiliando adversários de Bolsonaro na campanha. Bonomo esteve com Marina; Frischtak com Alckmin e Rios extraoficialmente com Meirelles. 

Por outro lado, segundo economistas que participaram da elaboração do texto, o grande mérito dele está em trazer nomes que até então estavam reservados nas críticas mais agudas ao governo. Alguns exemplos: Olavo Setúbal, do Itaú; Luís Sthulberg, dono do fundo Verde, um dos maiores do mercado financeiro.

Sobre as sugestões em si, ministros disseram à CNN que parte delas já está em andamento. O presidente consultou alguns dos seus auxiliares mais próximos sobre o teor e preferiu, assim como a equipe econômica, responder o texto por meio de um discurso feito no meio da tarde em uma cerimônia sobre educação.  Nela, apresentou dados econômicos.