Após Pazuello, Congresso pressiona para tirar Ernesto Araújo

O movimento é incentivado nos bastidores por interlocutores do presidente Jair Bolsonaro, que avaliam que o chanceler perdeu as condições de ficar no cargo

Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
23 de março de 2021 às 19:58 | Atualizado 23 de março de 2021 às 21:21

Após trabalhar pela substituição do ministro da Saúde, o Congresso Nacional agora pressiona o Palácio do Planalto pela substituição do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. O movimento é incentivado nos bastidores por interlocutores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que avaliam que o chanceler perdeu as condições de ficar no cargo diante do avanço da pandemia.

Um dos principais passos do Congresso nesse sentido ocorrerá nesta quarta-feira (24), quando Ernesto participará de sessões para debater a atuação no Itamaraty na pandemia. Está prevista às 10h uma sessão na Câmara e às 16h uma no Senado.

Muitos parlamentares já se inscreveram para fazer seus questionamentos e devem pressionar Ernesto Araújo e apontar o que consideram equívocos da política externa brasileira, que, segundo parlamentares, acabaram por prejudicar o Brasil na pandemia.

Esse movimento ocorre em um momento em que Câmara e Senado abriram diálogo com embaixadores de países estrangeiros em Brasília para pedir ajuda na aquisição de vacinas e insumos para o país no momento mais crítico da pandemia.

Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo
Interlocutores incentivam o presidente a trocar o ministro das Relações Exteriores
Foto: Marcos Corrêa/PR (2.jul.2020)

Os relatos que chegam, por exemplo, aos presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado (DEM-MG), Rodrigo Pacheco, são de ressentimentos com a postura do Itamaraty com os países nos últimos anos, em especial da China e dos Estados Unidos.

Ajuda de empresários

O tema também foi objeto do encontro de ambos com empresários do setor de saúde em São Paulo nesta segunda-feira (22). Tanto que foi sugerido ali que os empresários também acionariam seus contatos no exterior para pedir ajuda ao país. 

A ideia é que eles apresentem o que precisa ser comprado e os fornecedores e a cúpula do Congresso acionem as embaixadas responsáveis. Em um segundo momento, o próprio Congresso pediria à Força Aérea Brasileira para buscar os insumos no exterior.

Além do contato com os embaixadores estrangeiros, o Congresso também tem feito a ponte direta com os embaixadores brasileiros nesses países para pedir ajuda. Até mesmo o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Forster, alinhado a Ernesto Araújo, foi acionado.

A movimentação tem sido incentivada discretamente por ministros de estado e parlamentares com acesso direto ao Palácio do Planalto. A avaliação é a de que a saída de Pazuello foi um sinal que Bolsonaro deu internamente, e que a eventual saída de Ernesto seria um sinal forte externamente no momento em que o governo tenta dar uma guinada na sua estratégia - e na comunicação - de combate à pandemia.