Congresso aciona OMS e ONU à revelia do Itamaraty

Documento enviado à OMS é chamado de 'Moção de Apelo à Comunidade Internacional'

Caio Junqueira
Por Caio Junqueira, CNN  
25 de março de 2021 às 19:48 | Atualizado 25 de março de 2021 às 20:02

 O Congresso Nacional deu início a uma ação internacional à revelia do Itamaraty e elaborou uma carta a ser endereçada ao secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Antonio Guterres, e já enviou uma outra, nesta quinta-feira (25), ao diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom.

O documento para Tedros, assinado pelos presidentes da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Kátia Abreu (PP-TO), e da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), é chamado de “Moção de Apelo à Comunidade Internacional”.

Diz que “o Brasil precisa hoje de auxílio”, “a situação que enfrentamos é dramática”, que “enfrentamos, talvez, a maior crise sanitária de nossa história” que “configura um risco sistêmico, de alcance planetário” e que “o Brasil necessita do concurso da comunidade internacional”.

Documento apresenta propostas ao consórcio Covax Facility para o fornecimento de doses de vacina
Foto: Valentyn Ogirenko/Reuters (5.mar.2021)

E cita as dificuldades que o país vive. “No caso das vacinas produzidas no exterior, nos deparamos com cronogramas e quantidades insuficientes. Com respeito à produção interna, dependemos de insumos farmacêuticos ativos (IFA) importados, que chegam ao País em ritmo lento, se comparado ao desafio posto pela segunda onda da pandemia. Somente a partir do mês de setembro teremos autonomia na área de insumos para expandir, modo sustentado, a produção nacional de vacinas. Travamos uma batalha contra o tempo. E precisamos da ajuda internacional para vencê-la.”

O texto faz duas propostas: que sejam alterado o cronograma de entregas do Covax Facility ou que haja um adiantamento que o Brasil compensaria adiante quando estiver em um bom ritmo de sua produção própria.

“À luz do exposto, encareço o especial empenho de Vossa Excelência no sentido de que se examine, no âmbito da Covax Facility, a possibilidade de ajuste no cronograma de entrega de vacinas do consórcio ao Brasil. Outra alternativa para a qual me permito chamar a atenção da OMS seria o possível adiantamento ao Brasil de doses extras de vacina do consórcio. O mesmo número de doses seria, em momento subsequente, reposto por nosso País no estoque global da Covax Facility, a partir da própria produção brasileira de vacinas, com base em cronograma mutuamente acordado”.