Bolsonaro tenta trocar demissão de assessor pela permanência de Ernesto

Segundo apurou a CNN, presidente investe na tese de que a eventual demissão de Martins já seria um ponto de inflexão importante na política externa do governo

Por Igor Gadelha, CNN  
26 de março de 2021 às 14:53 | Atualizado 26 de março de 2021 às 15:10
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Presidente é resistente à exoneração do chanceler Ernesto Araújo
Foto: Adriano Machado - 7.set.2020-Reuters

Resistente à exoneração do chanceler Ernesto Araújo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tenta negociar com a cúpula do Congresso Nacional a demissão de seu assessor para Assuntos Internacionais, Filipe Martins, em troca da permanência do ministro das Relações Exteriores.

O assunto foi um dos temas da conversa de Bolsonaro com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), nesta sexta-feira (26). Pela manhã, Bolsonaro foi à residência oficial de Pacheco, em Brasília, acompanhado do ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos.

Segundo apurou a CNN, Bolsonaro investe na tese de que a eventual demissão de Martins já seria um ponto de inflexão importante na política externa do governo. O argumento tem sido o de que o assessor é influente na definição das diretrizes da política externa.

O presidente também vem sinalizando que ele e o próprio Ernesto poderiam fazer mudanças no discurso, com nova postura na área ambiental, declarações claras em apoio à participação da China no leilão 5G e mais engajamento com o governo Joe Biden.

Em entrevista após o encontro, Pacheco admitiu que conversou com Bolsonaro sobre o tema, mas não deu detalhes. Publicamente, o senador afirmou apenas ter manifestado que a “política externa do Brasil precisa melhorar” e que a decisão de exonerar “cabe a quem nomeou”.

Oferta de cargos

Bolsonaro já indicou diretamente a Martins que deve demiti-lo. Nas conversas, segundo ministros relataram à CNN, disse que seria difícil manter o auxiliar, após senadores reclamarem de um gesto que ele teria feito considerado obsceno durante sessão do Senado na última quarta-feira (24).

O presidente da República, contudo, indicou a possibilidade de indicar Martins para um cargo em algum ministério ou algum posto diplomático cuja indicação não exija aval do Senado. O assessor não pode assumir uma embaixada, pois tem menos de 35 anos, idade mínima exigida.

Procurado, Filipe Martins não respondeu. Nas redes sociais, ele negou ter feito gesto obsceno ou racista. O assessor alegou que estava ajeitando a lapela de seu terno e que pretende processar quem o acusou de ter feito um gesto de “supremacista branco”.