Oposição vai pedir impeachment de Bolsonaro por interferência nas Forças Armadas

Pedido é pluripartidário e tem assinatura do deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) e dos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Jean Paul Prates (PT-RN)

Da CNN, em São Paulo
30 de março de 2021 às 18:19 | Atualizado 30 de março de 2021 às 18:22

Líderes dos partidos de oposição na Câmara dos Deputados e no Senado vão apresentar nesta quarta-feira (31) um novo pedido de impeachment contra Jair Bolsonaro (sem partido). A alegação é de que o presidente tentou interferir politicamente no Exército. As informações são da âncora da CNN Daniela Lima.

O pedido de impeachment será pluripartidário e incluirá as assinaturas do deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) e dos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Jean Paul Prates (PT-RN). 

O Ministério da Defesa informou nesta terça-feira (30) que os três comandantes das Forças Armadas serão substituídos: Edson Pujol, do Exército, Ilques Barbosa Junior, da Marinha, e Antonio Carlos Moretti Bermudez, da Aeronáutica. A decisão foi anunciada em nota após uma reunião nesta manhã com o novo ministro da pasta, Walter Braga Netto, e o ex-ocupante do cargo, Fernando Azevedo e Silva. 

O analista da CNN Igor Gadelha apurou com generais e auxiliares do governo que as substituições ocorreram a pedido do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Até a noite de ontem, os comandantes avaliavam que não seria correto entregar os cargos antes de ouvir o novo ministro. 

Jair Bolsonaro
Parlamentares da oposição pedirão impeachment do presidente Jair Bolsonaro
Foto: 27/02/2021 REUTERS/Ueslei Marcelino

Eles queriam avaliar como se dará o estreitamento da relação entre as Forças Armadas e o Palácio do Planalto, o que teria motivado a demissão de Fernando Azevedo. Segundo fontes ouvidas pelo âncora da CNN Caio Junqueira, o presidente estava incomodado com a postura das Forças em relação ao governo.

Os comandantes estavam receosos que houvesse uma demanda por um alinhamento político das tropas com Bolsonaro, o que é rejeitado por todas elas. Na carta em que anuncia a demissão, Fernando Azevedo disse que, durante o período que comandou a pasta, preservou "as Forças Armadas como instituições de Estado".