Renan Calheiros, Eduardo Braga e Ciro Nogueira devem compor CPI da Pandemia

Senadores do MDB são vistos pelo Planalto com preocupação; presidente do PP seria o defensor do governo na comissão

Iuri Pitta
Renata Agostini
13 de abril de 2021 às 16:51 | Atualizado 13 de abril de 2021 às 21:21

Diversos nomes críticos ao governo Jair Bolsonaro estão bem posicionados para ocupar postos na CPI da Pandemia.

No bloco composto por MDB, PP e Republicanos, o acordo até o momento prevê a indicação dos senadores emedebistas Renan Calheiros (MDB-AL) e Eduardo Braga (MDB-AM) e do presidente do PP, Ciro Nogueira (PP-PI). O posto de suplência ficaria então com Jader Barbalho (MDB-PA).

A configuração preocupa o Palácio do Planalto, que tenta influenciar o bloco a mudar as indicações, como a de Renan Calheiros. Eduardo Braga também adota posição de independência. Caberia a Ciro Nogueira, um dos mais próximos aliados de Bolsonaro, o papel de defender a posição do governo no colegiado.

Senadores experientes avaliam que, por ora, o formato que vem se desenhando da CPI não favorece o governo. A articulação do governo está atenta e tentando modificar as tratativas.
No bloco formado por Podemos, PSDB e PSL, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) deve ser um dos indicados, com a suplência ficando com Izalci Lucas (PSDB-DF). O Podemos ainda debate as outras duas indicações.

O bloco formado por Podemos, PSDB e PSL deve indicar os senadores Tasso Jereissati (PSDB) e Eduardo Girão (Podemos), ambos do Ceará. A determinação da Mesa Diretora de que o bloco teria dois titulares e um suplente surpreendeu o próprio bloco, que pretendia indicar também Marcos do Val (Podemos-ES) – com a nova conta, ele ficará na suplência.

O líder do PSDB, Izalci Lucas (DF), chegou a questionar o cálculo para o presidente do Senado, mas acatou a decisão.

Girão é autor do requerimento para ampliar o escopo da CPI, incluindo a apuração sobre estados e municípios.

O bloco Democratas, PL e PSC teria direito a uma vaga, mas poderá fazer duas indicações. Os nomes ainda não foram escolhidos.

Nesta terça-feira, o líder do bloco, Wellington Fagundes (PL-MT), e o vice-líder, Jorginho Mello (PL-SC), estiveram com Bolsonaro no Palácio do Planalto. Fagundes é defensor da proposta de uso de fábricas de vacinas veterinárias para produção de vacina contra a Covid-19 e levou o assunto à conversa com o presidente.

Mello, por sua vez, é aliado de Bolsonaro e frequentemente citado pelo presidente e esteve na comitiva que, na semana passada, foi a Chapecó (SC). 

O PSD, que tem direito a duas indicações na CPI, enviará os nomes dos senadores Otto Alencar (PSD-BA) e Omar Aziz (PSD-AM). O suplente será o senador Ângelo Coronel (PSD-BA).

A oposição também já debateu seus nomes para a comissão. Randolfe Rodrigues (Rede-AP) deve ser o indicado como representante do bloco Rede, Cidadania, PDT, PSB. A suplência do bloco ficaria com Alessandro Vieira (Cidadania-SE).

Já o bloco PT e Pros será representado pelo senador Humberto Costa (PT-PE), com Rogério Carvalho (PT-SE) como suplente.