À CNN, governista diz que falta de resposta à Pfizer não atrapalhou imunização

Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou que compra de vacinas não poderia ter acontecido em agosto de 2020

Elis Franco e Gregory Prudenciano, da CNN, em São Paulo
13 de maio de 2021 às 20:52 | Atualizado 13 de maio de 2021 às 21:08

Em entrevista exclusiva à CNN nesta quinta-feira (13), o senador Ciro Nogueira (PP-PI), líder do Centrão e integrante da base governista, disse que a falta de resposta do governo federal à Pfizer, que em agosto de 2020 fez três propostas de venda de sua vacina contra a Covid-19, "não influenciou em nada a entrega de vacinas para o nosso país". 

Para Nogueira, que é membro titular da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, a oposição está tentando forçar uma "narrativa" que não sobrevive ao confronto com os fatos. 

"Ficou comprovado hoje que ela [a Pfizer] só aprovou no FDA em dezembro essas vacinas nos Estados Unidos, e só depois que ela entrou com o pedido de registro no nosso país, então era impossível entregar a vacina", argumentou o senador, em referência à agência de vigilância sanitária dos Estados Unidos.

Nogueira afirmou que as três propostas feitas pela Pfizer em agosto em 2020 eram de meros "projetos de vacina" e que nenhuma das ofertas incluía o fornecimento de quantidade relevante de imunizantes ainda no primeiro semestre deste ano, o que poderia impactar positivamente o Plano Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde. 

O senador disse ainda que "as exigências da Pfizer eram absurdas naquele momento", sem especificar quais, e ressaltou que o próprio gerente geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, disse hoje à CPI que ainda há países que não fecharam contrato com a farmacêutica. 

Críticas à Renan Calheiros

Ciro Nogueira voltou a criticar o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), que segundo o senador pelo Piauí demonstra viés antigovernista claro durante os trabalhos da comissão. Para Nogueira, "o relatório já está pronto" desde já. "É um relatório que tenta única e exclusivamente atingir o presidente da República, criminalizar o governo". 

À bancada, em pronunciamento, senador Ciro Nogueira (PP-PI)
Foto: À bancada, em pronunciamento, senador Ciro Nogueira (PP-PI).

Perguntado sobre a discussão ocorrida na quarta-feira (12) entre o relator e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), com xingamentos e até palavrão, o líder do Centrão classificou a cena como "episódio deplorável em todos os aspectos", mas disse que agiu pior Renan Calheiros ao pedir a prisão do depoente, o ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten. 

Para Nogueira, a prisão de Wajngarten foi pedida simplesmente porque "as respostas dele [do ex-secretário] não estavam coincidindo com matéria de revista". "Ele, quando deu aquela entrevista, não tinha compromisso com a verdade, ele tinha compromisso com a verdade no seu depoimento, e ali ele esclareceu", argumentou. 

Depoimento de Carlos Murillo, da Pfizer, à CPI da Pandemia

Em sua participação na CPI da Pandemia, o diretor-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, disse que a farmacêutica americana três ofertas de venda de sua vacina contra a Covid-19 ao governo brasileiro ainda em agosto de 2020.

Segundo Murillo, houve "reuniões iniciais exploratórias" nos meses de maio e de junho do ano passado. Em 14 de agosto, a Pfizer fez sua primeira oferta, em contratos de 30 milhões ou de 70 milhões de doses, e foi ignorada pelo governo. 

Outras duas propostas idênticas se seguiram, em 18 de agosto e em 26 do mesmo mês, ambas também ignoradas. No caso da última proposta, 1,5 milhão de doses poderiam ter sido entregues ainda em 2020 e também "um pouco mais de quantidade para o primeiro trimestre de 2021", disse o executivo. 

Cronograma da Pfizer apresentado à CPI da Pandemia
Foto: CNN Brasil

Participação de Carlos Bolsonaro em reunião com a Pfizer

Carlos Murillo também afirmou que quando o governo federal finalmente manifestou interesse em adquirir as vacinas, em novembro de 2020, houve uma reunião no Palácio do Planalto com duas representantes da Pfizer, na qual estiveram presentes o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Felipe Martins, o então secretário especial de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten, e o vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente Jair Bolsonaro. 

Em seu depoimento à CPI, na quarta-feira, Wajngarten disse que nunca teve "qualquer relação" com o filho do presidente.