Não vejo razão para Carlos Bolsonaro ser convocado, diz presidente da CPI à CNN

Omar Aziz disse que depoimento de executivo da Pfizer na semana passada não comprometeu filho do presidente Bolsonaro

Produzido por Juliana Alves, da CNN em São Paulo
17 de maio de 2021 às 12:23 | Atualizado 17 de maio de 2021 às 13:42

 

O senador que preside a CPI da Pandemia, Omar Aziz (PSD-AM), disse em entrevista à CNN nesta segunda-feira (17) que, até agora, não vê motivo para que o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) seja convocado a prestar depoimento. 

Para ele, a fala do presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, não implica o vereador pelo Rio de Janeiro. 

"O depoimento dele [Carlos Murillo] não compromete o vereador Carlos. Ele entrou na sala, cumprimentou, não fez nenhuma pergunta e saiu da sala. Temos que ter muito cuidado, esse cuidado que estou tendo, que não tente politizar", afirmou. "Não podemos criar situações, porque vai desvirtuar a CPI." 

Senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Pandemia
Foto: CNN Brasil (17.mai.2021)

"Sinceramente, até agora, não vejo razão para que Carlos Bolsonaro seja convocado. Se eu fosse filho, também teria tentado ajudar meu pai nas circunstâncias, sem, claro, dar ordens a ministros e secretários", declarou. "Não vejo necessidade de politizar a situação. Se tiver coisa concreta contra o Carlos ou quem quer que seja, não tenha dúvida de que iremos convocar, mas para fazer politicagem, não vejo necessidade." 

Aziz também falou sobre a decisão do STF que permitiu que Pazuello fique em silêncio durante o depoimento. 

"Não sendo permitido falar aquilo sobre o comportamento [de Pazuello] nos prejudica bastante, mas outros falarão", afirmou. 

"Fica meio toldado, cerceado esse depoimento", disse. "Se ele era o responsável e a CPI é da Covid, óbvio que fica prejudicado, te asseguro que fica prejudicado o que podemos obter de Pazuello."

Porém, ele acredita que, pelo histórico militar do ex-ministro, ele priorizará "o que honrou defender: a pátria e o povo brasileiro". "Através da própria consciência, vai dizer quais foram os caminhos errados e o que pensa que poderíamos ter tomado o lado certo". 

"Ministros se omitiram"

O senador também falou que os ex-ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, se omitiram nos depoimentos prestados à comissão. 

"O presidente não acordou e disse 'olha, sonhei que a cloroquina e a ivermectina salvam', alguém o induziu a isso. Perguntamos à Mandetta e Teich, 'quem é o grupo paralelo orientando o presidente?', eles sabiam e não falaram".

Para ele, as testemunhas ouvidas até o momento mostram que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi "mal orientado". 

"O Brasil tem a oportunidade ímpar de adquirir 70 milhões de doses da Pfizer, o presidente, vice, ministro da Saúde, embaixador e outros ministros recebem a correspondência e ninguém mandou procurar a Pfizer para dizer 'quanto custa? Como estão os testes?'", lembrou.

"Quando Carlos, o presidente da América Latina da Pfizer, disse que levou mais de uma proposta para o governo, uma delas que em dezembro [de 2020] teríamos 1,5 milhão e vacinas… Hoje poderíamos ter quase 20 milhões de vacinas da Pfizer já aplicadas no povo brasileiro".