Ex-ministro Pazuello participa de ato ao lado de Bolsonaro sem máscara

Depois de poupar o presidente na CPI, ex-ministro da Saúde participa de ato político no Rio

Da CNN, em São Paulo
23 de maio de 2021 às 11:55 | Atualizado 24 de maio de 2021 às 17:49

O general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, participou, sem máscara, de um ato político, no Rio de Janeiro, ao lado do presidente Jair Bolsonaro, também sem máscara, neste domingo (23). A participação aconteceu dias depois de o militar falar à CPI da Pandemia, no Senado.

O depoimento à comissão deveria ter acontecido no começo do mês, mas foi adiado por duas semanas depois de Pazuello ter contato com casos suspeitos de Covid-19. Ele chegou a enviar uma carta ao Exército pedindo o adiamento. O general também havia sido flagrado sem máscara em um shopping de Manaus.

Bolsonaro e ex-ministro da Saúde Pazuello
Bolsonaro e ex-ministro da Saúde Pazuello, em carro de som, falam com apoiadores no Rio de Janeiro (23-05-2021)
Foto: Reprodução / CNN

O general falou aos senadores que integram a comissão.na quarta-feira (19) e na quinta (20). Na CPI, ele disse que não recebeu ordens do presidente Jair Bolsonaro enquanto esteve no comando do Ministério da Saúde, afirmou que a pasta esperou uma Medida Provisória para comprar vacinas da Pfizer, voltou a dizer que o aplicativo TrateCov foi suspenso após um ataque hacker e contou que o governo federal tinha um longo plano de combate à pandemia de Covid-19, mas que não conseguiu implementá-lo porque o Supremo Tribunal Federal (STF) "limitou" as ações do Executivo.

No decorrer do depoimento, o relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), disse que Pazuello mentiu em pelo menos 14 oportunidades e defendeu a contratação de uma agência de checagem de informações. Há um requerimento para que o general seja convocado novamente a depor.

Manaus

Na CPI, ao ser questionado pelo senador Angelo Coronel (PSD-BA) sobre sua atuação diante da crise em Manaus, Pazuello afirmou que "foram tomadas todas as ações que podiam ser tomadas naquele momento".

"Sofri muito em Manaus. Perdi parentes e amigos. Seria absurdo dizer que isso não me afeta. Claro que existem limites, mas foram tomadas todas as ações que poderiam ser tomadas naquele momento", disse o ex-ministro no depoimento.

Sobre o ato deste domingo no Aterro do Flamengo, no Rio, a Polícia Militar informou que não passará a estimativa de público no evento. "À Polícia Militar coube a manutenção da ordem", informou por nota.