Para investigar compra da Covaxin, CPI convoca ex-coordenador da Saúde

Tenente-coronel Alex Lial Marinho teria pressionado servidor do Ministério da Saúde para assegurar a importação da vacina indiana contra Covid-19

Amanda Pupo, do Estadão Conteúdo
23 de junho de 2021 às 12:09 | Atualizado 23 de junho de 2021 às 12:10
Dose da vacina indiana da Bharat Biotech, de nome Covaxin
Dose da Covaxin, vacina indiana contra Covid-19; CPI convocou auxiliar de Pazuello para investigar compra do imunizante
Foto: Adnan Abidi/Reuters

A CPI da Pandemia aprovou nesta quarta-feira (23) a convocação do tenente-coronel Alex Lial Marinho, ex-coordenador-geral de Logística de Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde na gestão de Eduardo Pazuello.

Os senadores também deram aval para a quebra de sigilo telefônico, fiscal, bancário e telemático de Marinho, depois que documentos recebidos pela CPI apontaram que o ex-coordenador teria "atuado fortemente" pela entrada da vacina indiana Covaxin no Brasil.

Informação foi revelada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" e confirmada pela CNN, que teve acesso aos memorandos diplomáticos, mostra que o Executivo adquiriu o imunizante por um preço 1.000% maior do que, seis meses antes, era anunciado pela própria fabricante.

Com o mesmo objetivo de apurar as circunstâncias da negociação, a CPI aprovou o convite para que o deputado Luis Miranda (DEM-DF), e seu irmão, Luis Ricardo Fernandes Miranda, prestem depoimento à comissão. Luis Ricardo é servidor do Ministério da Saúde.

À CNN,  Luis Miranda afirmou que levou a denúncia de um suposto esquema de corrupção envolvendo a compra da vacina Covaxin no dia 20 de março para o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

Apesar do aviso, o governo seguiu com o contrato. O irmão dele é o servidor do Ministério da Saúde que depôs ao Ministério Público Federal (MPF) sobre a compra da vacina e citou Alex Lial Marinho.

Nesta quarta-feira (23), a CPI aprovou mais de 50 requerimentos, incluindo a convocação da Diretora da Diretoria de Integridade (DINTEG) do Ministério da Saúde, Carolina Palhares Lima.

"A Diretoria de Integridade foi criada com o objetivo de fiscalizar, internamente, os atos do Ministério da Saúde. Em 2020 já havia enviado ao [Tribunal de Contas da União] TCU a informação sobre irregularidades na compra de kits de reagentes e insumos utilizados em testes de Covid-19", justificou o senador Humberto Costa (PT-PE), no pedido de convocação.

A CPI ainda também aprovou a convocação de Thais Amaral Moura, assessora do Palácio do Planalto que foi apontada como responsável por redigir requerimentos apresentados por aliados do presidente na CPI.