Após nota, generais da ativa buscam senadores para evitar desgaste institucional

Na quarta, integrantes das Forças Armadas entraram em contato com parlamentares para justificar que a manifestação foi um episódio pontual

Gustavo Uribe
Por Gustavo Uribe, CNN  
08 de julho de 2021 às 09:50 | Atualizado 08 de julho de 2021 às 13:27
Plenário do Senado Federal
Plenário do Senado Federal
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom - 24.fev.2021/Agência Brasil

Na mesma noite em que o Ministério da Defesa divulgou nota pública em reação ao senador Omar Aziz (PSD-AM), integrantes das Forças Armadas entraram em contato com parlamentares governistas e de oposição para evitar que a manifestação crie um degaste institucional na relação com o Senado Federal.

Segundo relatos feitos à CNN, generais da ativa telefonaram para senadores na quarta-feira (7) para esclarecer que o posicionamento público foi um episódio pontual, uma crítica a uma declaração do presidente da CPI da Pandemia, e não um ataque ao Senado Federal.

O ministro da Defesa, Walter Braga Netto, também entrou em contato com senadores para esclarecer o conteúdo da manifestação. Segundo apurou a CNN, ele disse que a reação foi focada na declaração, não na instituição."

Braga Netto também entrou em contato, nesta quinta-feira (8), com o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), "Nesta manhã, tive uma conversa com o ministro da Defesa. Ressaltamos a importância do diálogo e do respeito mútuo entre as instituições, base do estado democrático direito, que não permite retrocessos", escreveu o senador nas redes sociais.

No comunicado, o Ministério da Defesa ressaltou que Aziz "desrespeitou" os militares e "generalizou esquemas de corrupção". "Essa narrativa, afastada dos fatos, atinge as Forças Armadas de forma vil e leviana, tratando-se de uma acusação grave, infundada e, sobretudo, irresponsável", registrou a nota pública.

Em sessão na quarta-feira (7), Omar Aziz disse que "os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados com algumas pessoas que hoje estão na mídia, porque fazia muito tempo, fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo".

Segundo relatos de auxiliares presidenciais, o comunicado público teve respaldo do Palácio do Planalto para ser divulgado. O tom adotado na nota, no entanto, dividiu militares do governo. Para alguns militares palacianos, era necessário um posicionamento em defesa das Forças Armadas, mas as críticas feitas a Omar Aziz foram, na avaliação deles, exageradas.