Após falar com Bolsonaro, Fux diz que fará reunião com presidentes dos 3 Poderes

Presidente do STF solicitou encontro para pedir trégua em ataques aos ministros e à lisura do processo eleitoral

Teo Cury e Anna Satie, da CNN em Brasília e São Paulo
12 de julho de 2021 às 18:25 | Atualizado 12 de julho de 2021 às 18:38

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, disse nesta segunda-feira (12) ter combinado com o presidente Jair Bolsonaro uma reunião entre os Três Poderes para "combinarmos balizas sólidas para a democracia". 

Ele falou brevemente a repórteres após ter conversado com Bolsonaro nesta tarde. "Convidei o presidente da República para uma conversa diante dos acontecimentos. Debatemos quão importante é para democracia brasileira o respeito às instituições e os limites impostos pela Constituição Federal. O presidente entendeu", disse.

"Ao final, combinamos uma reunião entre os Três Poderes para combinarmos balizas sólidas para a democracia, tendo em vista a estabilidade do regime político". 

Nas últimas semanas, o presidente da República atacou ministros do STF que integram o Tribunal Superior Eleitoral, voltou a levantar dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral e chegou a dizer que as eleições de 2022 poderiam não acontecer.

Bolsonaro retomou na semana passada as críticas ao ministro Luís Roberto Barroso, que preside o TSE, alvo frequente de acusações do presidente da República. Em entrevista a uma rádio, Bolsonaro acusou Barroso de querer “destruir a nossa democracia” e chamou o magistrado de um “péssimo ministro”.

O presidente do STF, Luiz Fux, conversou com a imprensa após encontro com Bolsonaro (12.jul.2021)
Foto: Reprodução / CNN

Após sair do encontro com Fux, Bolsonaro também falou à imprensa e admitiu ter "um problema" com Barroso. 

"Eu estou com um problema aqui com um ministro, o que é normal e pode acontecer. Ele está tendo um ativismo legislativo que não é concebível, na questão do voto impresso", disse. "Eu acredito que nós ao apresentarmos e lutarmos por mais uma maneira de tornar as eleições mais transparentes deveria ser digno de aplausos". 

Ele também voltou a defender a impressão dos votos. "Paulo Guedes já disse que tem R$ 2 bilhões para comprar maquininhas para imprimir o voto no ano que vem. Não é retorno ao voto em papel, é uma maquininha que imprime o voto", declarou. "Três países somente usam esse sistema, o Brasil, Bangladesh e Butão. Algo está errado e queremos transparência". 

Segundo o TSE, em 25 anos de uso da urna eletrônica, não houve nenhuma fraude comprovada nas eleições