Mudanças ministeriais ampliam espaço do Centrão no governo

As mudanças ministeriais,que devem ser anunciadas nos próximos dias, pretendem dar resposta às ameaças de impeachment

Basília Rodrigues
Por Basília Rodrigues, CNN  
21 de julho de 2021 às 14:38 | Atualizado 21 de julho de 2021 às 16:13

 

O centrão ampliaria espaco no governo, com o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira, à frente da condução política de governo, na Casa Civil. Com o mesmo movimento, o governo quer atender a base no Senado, que se queixava da falta de um senador no papel de ministro. A cadeira é espinhosa, e o objetivo da mudança é cumprir a importante função de estreitar o caminho entre o Planalto e o Congresso.

 

A troca na Casa Civil, uma vez concretizada, encerra o período dos militares à frente da articulação política. Nogueira tem a missão de refazer pontes que os ex-ministros generais da pasta não conseguiram manter. Desde abril, a tarefa estava nas mãos de Luiz Eduardo Ramos, sucessor do também general, Braga Netto.

Em menos de 1 ano, Ramos terá mudado de cargo três vezes; começou como ministro da Secretaria de Governo, hoje e ao que tudo indica não por muito tempo está na Casa Civil, e deve ser alocado na Secretaria Geral da Presidência, no lugar de Onyx Lorenzoni, que assumiria a pasta do Trabalho.

Como antecipou o comentarista da CNN, Alexandre Garcia, o governo vai editar uma MP para recriar o ministério do Trabalho, extinto em um dos primeiros atos do governo, em janeiro de 2019.

À bancada, em pronunciamento, senador Ciro Nogueira (PP-PI)
Foto: À bancada, em pronunciamento, senador Ciro Nogueira (PP-PI).

A Economia, que reúne hoje também as áreas de Fazenda, Planejamento e Indústria, perderia o setor que cuida das políticas de geração de empregos. Ainda há quem queira retirar do ministro Paulo Guedes também o departamento de Comércio Exterior, o que ainda está em negociação.
Lorenzoni sairia do Planalto depois de protagonizar a entrevista em que o governo não conseguiu esclarecer o que Bolsonaro disse e realmente fez no encontro com os irmãos Miranda, os portadores da denúncia de irregularidades na compra de vacina do Covaxin. Muito amigo de Bolsonaro, Onyx pode ocupar o ministério do Trabalho, depois de já ter ocupado as pastas da Casa Civil, Cidadania e a atual Secretaria Geral da presidência.

O governo já previa uma reforma, mas não agora. A decisão de antecipar vem em um momento em que Jair Bolsonaro enfrenta baixa popularidade, desânimo de aliados e a CPI da Pandemia, que mesmo de férias não parou de gerar notícias, com exceção desta quarta-feira, em que a mudança na Esplanada roubou holofotes.