Abin Paralela tentou impedir nomeação de ministra no TSE, diz PF

Relatório da PF aponta que estrutura foi usada para vasculhar informações de que jurista era "petista roxa" para "explodir indicação"; juíza também foi espionada

Elijonas Maia, da CNN, Brasília
Fachada do prédio do TSE
Fachada do prédio do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)  • Luiz Roberto/Secom/TSE
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O relatório da Polícia Federal de mais de 1.000 páginas sobre a investigação de uso ilegal da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Bolsonaro também detalha que a jurista Maria Cláudia Buchianeri, que seria nomeada como ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), teve sua vida pessoal vasculhada por agentes cedidos.

A PF aponta que Marcelo Bormevet recebeu um áudio de um colega dizendo que estudou com Maria Cláudia Buchianeri e que ela era “petista roxa”.

Com base nessa informação, Bormevet pede a Giancarlo Gomes Rodrigues, do chamado "núcleo de inteligência paralela", que ele consulte e encontre algo para "tentar explodir" a indicação dela, segundo o relatório final da PF, enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Bormevet é policial federal e estava cedido à Abin. Giancarlo, militar do Exército e também estava na agência. Ambos eram subordinados ao então diretor Alexandre Ramagem.

As consultas da vida de Maria Cláudia foram em junho de 2021 e, pela investigação, nada foi encontrado e a indicação do nome da jurista foi aceita. A ministra substituta foi nomeada em agosto do mesmo ano pelo então presidente Jair Bolsonaro. Atualmente, não faz mais parte da corte eleitoral.

Além da ministrável, a PF aponta que a juíza Márcia Capanema de Souza foi espionada em agosto de 2020. Márcia é juíza eleitoral e foi responsável pela inelegibilidade do político Marcelo Crivella, mas não seria esse o motivo.

A magistrada era responsável por 14 ações com 14 réus bolsonaristas, incluindo quatro deputados e um senador, e as ações pediam remoção de conteúdos da internet e indenizações por danos morais. Titular do juizado, a magistrada Márcia Capanema de Souza já havia concedido seis liminares em favor do ex-deputado Jean Wyllys e homologado duas sentenças no mesmo sentido, mas acabou se declarando impedida de continuar a julgá-los por ser cunhada do advogado de Jean em um dos casos.

Os nomes das duas juristas constam no mais recente relatório da PF. Até então, não havia menção a demais nomes do Judiciário brasileiro.

A CNN não conseguiu contato com as defesas dos investigados. Eles foram indiciados nesta semana.