Aécio diz que candidatura de Leite é a mais viável e sugere pacto com Doria

Parlamentar afirma que o grande gesto do ex-governador paulista seria conduzir a candidatura do ex-chefe do Executivo gaúcho à Presidência da República

Douglas PortoElis Francoda CNN

em São Paulo

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O deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) declarou nesta quarta-feira (20), em entrevista à CNN, que a candidatura do ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite é mais viável que a do ex-governador de São Paulo João Doria, escolhido como postulante ao Palácio do Planalto em novembro do ano passado nas prévias do PSDB.

No atual momento, em que os partidos União Brasil, MDB, PSDB e Cidadania concordaram em anunciar no dia 18 de maio um único “candidato de consenso”, Aécio sugere que Doria faça um pacto com Leite, para que a sigla tenha um nome próprio nas eleições.

“João Doria e Eduardo Leite, os dois nomes colocados pelo PSDB até aqui, agora não devem se ver mais como adversários. Eles são postulantes legítimos a liderar um projeto de país. Acredito muito mais na candidatura de Eduardo Leite pela baixa rejeição, pela capacidade de articulação e de aglutinação que tem e por estar conversando permanentemente com outras forças políticas e da sociedade, fora dos partidos. Mas o João Doria tem uma candidatura que é legítima também, que ele possa se viabilizar”, afirma Aécio.

“O que eu quero sugerir é que ambos façam um pacto, o pacto de boa convivência, com critérios claros, para definir lá adiante qual será o nosso candidato. E comecem a perceber que a movimentação com a qual eles estão se deparando e para qual eles devem estar alerta é essa de setores do partido que começam a defender aquela tese que é melhor não ter candidato. Principalmente se o candidato for um com alta rejeição, para que sobre dinheiro para os parlamentares, algo do que até me acusaram no passado. Eu quero dizer aqui que é o contrário. Eu acho que o PSDB deve ter uma candidatura”, continua.

Na opinião do candidato à Presidência da República nas eleições de 2014, o grande gesto que o ex-chefe do Executivo paulista poderia realizar no momento seria conduzir a candidatura de Leite, apresentar seu nome para as demais legendas que compõem a terceira via e ter viabilidade dentro do pleito.

“Eu não tenho dúvida que dentro de pouco tempo nós teríamos uma candidatura viável, e aí sim o governador João Doria estaria transformando de alguma forma a sua imagem, que não será feita por novas peças de marketing ou por algumas inserções na TV. É hora de pararmos de brincar de terceira via e construirmos um caminho que seja realmente viável e João Doria tem papel vital nisso.”

O parlamentar afirma que em 2010 fez o mesmo quando “tinha o apoio de mais da metade do diretório do PSDB no Brasil”. “era governador de Minas, abri mão para apoiar José Serra [candidato na ocasião derrotado por Dilma Rousseff, do PT] porque eu não consegui unir o partido. Quatro anos depois eu voltei candidato pelo conjunto do PSDB”.

Aécio alega que, no momento, a terceira via está se construindo “como substrato do interesse da candidatura do PSDB em São Paulo”, assim para que Doria, pela rejeição, não seja danoso para a reeleição do governador Rodrigo Garcia. Ainda indica que falta comando do presidente do partido, Bruno Araújo.

“Então, busca-se uma forma de afastar o governador João Doria. Não se tem coragem. Infelizmente, o presidente Bruno Araújo hoje atua muito mais como advogado dos interesses do Rodrigo Garcia do que como presidente nacional do PSDB. Tenho por ele enorme estima pessoal. Fiz ele ministro de estado no governo [de Michel] Temer, como presidente do partido, nos representando. Mas, infelizmente, vem faltando ao partido uma liderança nacional que coloque o interesse dos outros 26 estados [e do Distrito Federal] na balança, na hora da tomada de decisões.”

Procurado pela CNN, Bruno Araújo disse ser “fato que algumas alas do PSDB trabalham, há algum tempo, inclusive publicamente, para não lançar candidato próprio à Presidência da República”, mas que “algumas delas aparentemente mudaram de ideia”.

“Nosso objetivo, ao contrário, sempre foi tentar garantir uma candidatura própria, que evoluiu em determinado momento para uma aliança política ampla, e fortalecer o partido em todo o Brasil, incluindo São Paulo, que governamos há quase três décadas, com resultados extraordinários”, concluiu o presidente do PSDB.

CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto, pela TV e por nossas plataformas digitais.

Veja os possíveis candidatos à Presidência da República em 2022

 

 

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