Ainda sem texto, PEC da Segurança já opõe PRF e PF

Policias ouvidos pela CNN afirmam que uma proposta que traria avanços na segurança pública seria unificar as duas polícias, trazendo um comando único para as operações

Gabriela Prado, da CNN, Brasília
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A possibilidade de incluir a Polícia Rodoviária Federal (PRF) como polícia nacional ostensiva na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública já opõe os policiais rodoviários federais e da Polícia Federal (PF).

De uma lado, PRF afirma que a medida traria "segurança jurídica" para a função ostensiva que já exercem diariamente.

Já para a PF, falta orçamento para duas polícias federais, ao mesmo tempo que duas forças de segurança atuando separadas podem trazer "conflitos operacionais" e piorar a efetividade da segurança pública.

A ideia foi anunciada pelo Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, durante uma cerimônia de entrega de aeronaves à frota da PRF, na última terça-feira (13).

“O que nós queremos é constitucionalizar o papel que a PRF já exerce em todo o país. Ela é, na verdade, uma polícia ostensiva e já ultrapassou os limites das rodovias federais”, comentou o ministro.

PRF

Os integrantes das entidades de classe da PRF viram a possibilidade da medida como positiva e ressaltam que já desempenham o papel de combate ao tráfico de drogas, desmatamento e atendimento à população. A justificativa é que, por exemplo, localidades remotas, muitas vezes a PRF é a única força presente.

Para os policiais rodoviários, a inclusão daria segurança jurídica aos servidores. Hoje, a Constituição Federal impõe que PRF “destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais”.

Integrantes da PRF admitem que a mudança precisaria incluir uma reestruturação administrativa com criação de novas diretorias.

Entretanto, os policiais rodoviários justificam que a organização da carreira em "classes" e não em cargos (escrivão, delegado, por exemplo), pode trazer mais facilidade para o cidadão, já que apenas um PRF, desempenha a função de ponta-a-ponta, além da progressão de cargo único.

Ambas categorias, porém, afirmam que vão aguardar a redação final do texto. Enquanto isso, as entidades sindicais já se articulam com parlamentares para apresentar as vantagens e desvantagens de cada lado.

PF

Já as entidades de classe da Polícia Federal ressaltam a dificuldade orçamentária e ainda uma possibilidade de conflito entre polícias ostensivas sem um comando único.

Os integrantes da PF ressaltam que já há dificuldade com o orçamento da corporação com bloqueios e cortes. A alteração para polícia ostensiva teria que implicar em treinamento e recursos de equipamentos à PRF, com mais custo aos cofres públicos.

Outra avaliação é com dois comandos, as operações de combate ao crime organizado, por exemplo, poderiam ser conflitivas, com cada polícia atuando com o próprio aparato, sem comando único de inteligência.

Dirigentes da PF avaliam que hoje já há conflitos em operações em rodovias. Com a ampliação para política ostensiva a prática poderia ser ampliada para rios e portos, o que poderia trazer para o governo federal um conflito que já existe em alguns estados, sem a integração entre os policiais civis e os militares.

Um dos exemplos citados é no combate ao tráfico de drogas. A PF alega que usa "ações controladas", em que monitoram rotas do tráfico. Em alguns casos, carretas e caminhões são interceptados pela PRF, o que impede a investigação completa da rota e dos possíveis suspeitos.

A PF ainda alega que já tem constitucionalmente essas atribuições que podem ser dadas à PRF e em todas as pontas: prevenção e investigação.

Solução conjunta

Policias ouvidos pela CNN afirmam que uma proposta que traria avanços na segurança pública seria unificar as duas polícias, trazendo um comando único para as operações.

A opção, na avaliação dessas fontes, poderia também trazer economia de recursos com unificação de diretorias de compras e recursos humanos.

PEC da Segurança Pública

O texto está sendo discutido entre Lewandowski, técnicos e governadores. O ministro também teve uma reunião com o Presidente Lula e com ex-governadores que ocupam ministérios nesta gestão.

O governo prevê resistência dos governadores que temem perder autonomia na segurança pública.