Ala do governo vê revogação de visto como interferência dos EUA na eleição

Durante o Hora H, a analista Julliana Lopes trouxe as reações imediatas do governo federal e do Congresso Nacional

Da CNN Brasil
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Os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, nesta terça-feira (4). A medida gerou reações imediatas tanto no Congresso Nacional quanto no governo federal, que avalia o episódio como uma escalada na relação bilateral entre os dois países.

Segundo a analista de Política Julliana Lopes, o entendimento de uma ala do governo é que a revogação representa uma tentativa dos Estados Unidos de interferir nas eleições brasileiras.

"Quando recusaram a vinda dos integrantes dos Estados Unidos, já havia esse temor de que viessem questionar a lisura do processo eleitoral, o funcionamento das urnas eletrônicas. E agora entendem que têm mecanismos sendo colocados em prática pela ala ideológica, dominada por Marco Rubio", destacou Julliana durante o Hora H desta terça.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores no Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), que acompanha de perto as negociações envolvendo o tarifaço, emitiu nota afirmando que a revogação do visto "é uma medida incomum, não vista há muito tempo, e que as consequências ainda precisam ser esclarecidas".

Trad destacou, no entanto, que a situação ainda não configura uma declaração de persona non grata, mecanismo previsto pela Convenção de Viena para comunicar formalmente que um diplomata deixou de ser aceito em determinado país. Lideranças do Congresso ainda enxergam espaço para diálogo e uma possível reversão da medida.

"Dentro da ala do agro, está todo mundo tentando entender até onde vai isso e a capacidade do Brasil de conseguir uma reversão e que isso não influencie nas negociações sobre o tarifaço que ainda estão em andamento. Este é o grande temor", destacou Julliana.

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