Aliados de Doria temem convenção partidária como retaliação por troca de coordenador

Avaliação de pessoas próximas do ex-governador de São Paulo é de que a troca de Bruno Araújo por Marco Vinholi foi um erro e pode ter consequências internas

Foto de arquivo de 2022 do governador de São Paulo, João Doria, do PSDB
Foto de arquivo de 2022 do governador de São Paulo, João Doria, do PSDB Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO

Alexandre BorgesPedro Duranda CNN

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Aliados de João Doria temem que a troca do coordenador de campanha Bruno Araújo possa causar mais um problema dentro de casa para o pré-candidato a presidência. Uma das possibilidades temidas por fontes que conversaram reservadamente com a CNN é que Araújo, presidente do PSDB, convoque uma convenção partidária, com alguma decisão que suplantaria as prévias vencidas por Doria. Essa convenção poderia, por exemplo, definir apoio formal a outra chapa.

O encontro de três tucanos no quintal do ex-governador de São Paulo foi a gota d’água para que o pré-candidato à presidência decidisse trocar o coordenador de sua campanha. Segundo fontes ouvidas pela CNN, o almoço em uma cantina italiana reuniu o presidente do PSDB, Bruno Araújo, que coordenava a campanha de Doria até esta sexta-feira (15), o ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o ex-prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior.

O almoço foi testemunhado por tucanos que estavam em outra mesa. Eles avisaram o ex-governador de São Paulo que o pernambucano e os dois gaúchos estavam falando sobre ele em um restaurante que fica a 500 metros de onde mora, no Jardim Europa, bairro da capital paulista.

O almoço foi promovido na última quarta-feira (13/4), dois dias antes de Doria decidir trocar o coordenador de campanha. Nesta sexta (15), a equipe de comunicação do ex-governador de São Paulo disse em nota: “Araújo, que é presidente nacional do PSDB, havia sido convidado por Doria para a função. Mas em recentes manifestações durante entrevistas e encontros empresariais, relativizou a candidatura de Doria – que venceu democraticamente as prévias do partido em novembro. Essa postura, considerada pouco agregadora, motivou a decisão”.

A crise deflagrada no PSDB chegou a ponto de os envolvidos se manifestarem publicamente. O próprio Bruno Araújo comentou uma notícia sobre o assunto afirmando: “Ufa! Comando que nunca fiz questão de exercer. Aliás, ele sabe as circunstâncias em que e o porque “aceitei” à época. Aliás, objetivo cumprido!”, disse Araújo.

O substituto escolhido para Bruno Araújo foi o presidente do PSDB de São Paulo, Marco Vinholi, que também se manifestou sobre o assunto. “Eu, como milhões de brasileiros, ainda tenho esperança no nosso país. Minha esperança tem nome e sobrenome: João Doria. Com a total confiança que ele reúne as melhores condições para retomar o desenvolvimento do nosso país vamos em frente até a vitória”, afirmou nas redes sociais.

Quem é Marco Vinholi?

Ex-deputado estadual, Vinholi foi líder de uma bancada tucana rachada na Alesp. Com votos em cidades como Barueri, Catanduva, Rio Preto, Araraquara, Ribeirão Preto e Bauru, não conseguiu ser eleito em 2014 e assumiu como suplente em 2017, mas voltou a perder a eleição em 2018.

Embora tenha saído derrotado com pouco menos de 56 mil votos, Vinholi foi convidado para comandar uma secretaria criada pelo recém-eleito governador João Doria, a de Desenvolvimento Regional. A pasta virou uma espécie de anteparo entre Doria e os prefeitos das 645 cidades do estado e Vinholi virou uma espécie de ‘SAC’ dos prefeitos, fazendo a ponte entre o governo e os municípios.

‘Dia do sigo’

No dia 3 de abril, que ficou conhecido entre tucanos como o ‘Dia do Sigo’, Vinholi conseguiu a marca de reunir 619 prefeitos no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. A alcunha à data é uma alusão ao fato de Doria ter ameaçado ficar no cargo e desistir da disputa à Presidência da República, mas voltado atrás e mantido o plano presidencial.

Nessa mesma data, Bruno Araújo escreveu uma carta afirmando, como presidente do PSDB, que Doria era o candidato a presidente apoiado pelo partido. Discurso que acabou destoando da defesa que fez em conversa com empresários de que um nome da terceira via poderia se sobrepor à candidatura de João Doria.

PSDB rachado

Num movimento de tentar se manter forte dentro do partido, mas em escala nacional, Doria se aproximou do ex-governador da Bahia e ex-prefeito de Salvador, Antônio Imbassahy, que foi inclusive abrigado como represantante do Palácio dos Bandeirantes em Brasília na gestão tucana. Outro trunfo na disputa interna para o lado de Doria foi o ex-governador de Goiás, Marconi Perillo, de quem o tucano também acabou se aproximando.

Ao romper com Bruno Araújo, Doria facilita a migração dele para o lado daqueles que pretendem dissolver a candidatura do ex-governador de São Paulo. Neste grupo figura o ex-governador de Minas Gerais, um dos estados onde o partido tem mais força, Aécio Neves. Aliados de Doria, no entanto, garantem que se Araújo decidir retaliar ele em uma possível convenção do partido, teriam delegados e votos suficientes para naufragar qualquer revanche.

Debate

A CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto, pela TV e por todas as plataformas digitais.

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