Allan dos Santos é citado 16 vezes em relatório final da CPI da Pandemia

No documento, Santos é descrito como "o principal agente da disseminação de fake news e o que possui maior vínculo com a família Bolsonaro"

O jornalista e empresário Allan dos Santos
O jornalista e empresário Allan dos Santos Foto: Mateus Bonomi/Estadão Conteúdo

Leandro Resende

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O relatório da CPI da Pandemia finalizado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) indica que o blogueiro Allan dos Santos, com prisão decretada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, é “o principal agente da disseminação de fake news e o que possui maior vínculo com a família Bolsonaro”.

Citado 16 vezes no relatório final da CPI, há contra Allan mais referências, por exemplo, do que com relação ao ministro da Defesa Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e que atuou como coordenador do Comitê de Crise da Covid-19, criado no começo da pandemia.

O blogueiro é uma das 66 pessoas que tiveram os pedidos de indiciamentos incluídos no relatório e foi enquadrado no artigo 286 do Código Penal, acusado de incitação ao crime por disseminação de fake news.

No dia 5 de outubro, o ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva e a extradição do blogueiro. A ordem de extradição já está no Ministério da Justiça.

No Supremo, ele é investigado em dois inquéritos: um por suposta propagar fake news, e o outro apura a formação das chamadas “milícias digitais”, grupos que ameaçariam as instituições. Santos é descrito pela CPI da Pandemia como o principal braço político da estrutura que espalhou desinformação sobre a covid-19.

Moraes ordenou ainda que a Polícia Federal inclua o mandado de prisão na lista da Difusão Vermelha da Interpol, para garantir que o blogueiro seja capturado e retorne ao Brasil. Também foi acionada a embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Allan deixou o Brasil e entrou nos Estados Unidos em 12 de agosto de 2020.

No relatório de Renan Calheiros, Santos é apontado como figura central no núcleo de produção e disseminação de notícias falsas. O documento traz registros de postagens em redes sociais nas quais o blogueiro defende o uso da cloroquina, critica medidas restritivas e desinforma sobre a eficácia de vacinas, colocando em dúvida a segurança dos imunizantes.

As quebras de sigilo recebidas pela CPI trazem, segundo o relatório, mensagens que demonstram diálogo frequente de Allan com a família Bolsonaro.

Cópias de mensagens obtidas a partir da quebra do sigilo telemático do blogueiro revelam, por exemplo, tentativas de conversa dele com o presidente Jair Bolsonaro e a revelação, feita por Allan, de que ambos conversaram sobre a saída do ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub.

O relatório também aponta para conversas frequentes entre o blogueiro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro sobre “nomes, indicações e financiamentos para os sites” que disseminam fake news.

“Está demonstrada a necessidade de aprofundamento das investigações dessa intricada teia de tráfico de influência e a disseminação de fake news”, diz trecho do relatório, que traz 24 imagens de publicações do blogueiro com críticas a Coronavac, às máscaras e à vacina da Pfizer, por exemplo.

A CNN tenta contato com a defesa de Allan dos Santos.

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