Análise: Bolsonaristas só têm força no Congresso quando se aliam ao Centrão
Analista de Política Pedro Venceslau apontou, no CNN 360º, que parlamentares bolsonaristas precisam se aliar ao Centrão para ter força política no Congresso Nacional e avançar com a proposta de anistia
A proposta de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 tem sido uma das principais pautas da oposição no Congresso Nacional. No entanto, sua aprovação depende de articulações políticas mais amplas, especialmente com o Centrão. A análise é de Pedro Venceslau no CNN 360º.
Segundo análises políticas, uma anistia parcial não atenderia aos interesses de Jair Bolsonaro (PL), conforme evidenciado em áudios vazados de uma conversa entre ele e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A discussão sobre a anistia faz parte de um acordo escalonado feito após a obstrução da Mesa Diretora que incluía, inicialmente, a PEC da blindagem e a PEC do foro privilegiado. E em terceiro momento se pautaria uma anistia ampla.
O acordo, patrocinado por Arthur Lira (PP-AL), inicialmente não contava com o aval de Hugo Motta (Republicanos-PB), que posteriormente aceitou as definições estabelecidas pelos líderes do Centrão. Houve divergências sobre a amplitude da blindagem parlamentar, com alguns defendendo maior proteção contra investigações.
A pressão da opinião pública, no entanto, provocou recuos. O próprio nome "PEC da blindagem" ganhou conotação negativa, apesar das tentativas de rebatizá-la como "PEC das prerrogativas". A mudança proposta representaria um retorno ao sistema anterior a 2001, quando parlamentares só podiam ser investigados mediante autorização do próprio Congresso.
Força política condicionada
A análise indica que os parlamentares bolsonaristas, tanto na Câmara quanto no Senado, só conseguem exercer força política significativa quando atuam em conjunto com o Centrão. Isoladamente, o grupo não tem poder suficiente para obstruir pautas ou criar obstáculos significativos para o governo.
A possibilidade de uma nova obstrução da agenda da Casa dependerá, portanto, da capacidade de articulação entre estas duas forças políticas. A união entre Centrão e bolsonaristas em torno de propostas específicas tem se mostrado decisiva para o avanço de determinadas pautas no Congresso Nacional.


