Análise: Bolsonaro afasta responsabilidade de terceiros
Analista Isabel Mega, no CNN Novo Dia, avalia desdobramentos da audiência de custódia de Bolsonaro; defesa alega que combinação de medicamentos gerou alucinações
Em audiência de custódia realizada após sua prisão preventiva, Jair Bolsonaro declarou ter agido sozinho na tentativa de danificar sua tornozeleira eletrônica, afastando qualquer envolvimento de terceiros no episódio. O incidente foi registrado em vídeo divulgado pelo Supremo Tribunal Federal. Análise é de Isabel Mega no CNN Novo Dia.
Durante seu depoimento, Bolsonaro afirmou que outras pessoas presentes em sua residência, incluindo sua filha, seu irmão mais velho e um assessor, estavam dormindo no momento do ocorrido. O vídeo mostra evidências claras da tentativa de violação do dispositivo, com o plástico da tornozeleira apresentando marcas de queimadura.
Estratégia da defesa
"Percebemos uma estratégia muito clara em unificar o discurso no estado de saúde de Jair Bolsonaro", destaca a analista de Política da CNN. A equipe jurídica de Bolsonaro apresentou um novo pedido de prisão domiciliar por questões humanitárias, argumentando que uma combinação de medicamentos teria provocado alucinações.
Segundo a defesa, Bolsonaro acreditava haver uma escuta dentro do dispositivo de monitoramento. "Isto é importante porque blinda outras pessoas da casa de uma participação, segundo o relato do ex-presidente", avalia Mega.
Uma nota divulgada pela equipe médica que acompanha Bolsonaro menciona uma combinação medicamentosa que inclui remédios para tratar uma crise de soluço crônica e um antidepressivo. A defesa sustenta que esta mistura de medicamentos pode ter desencadeado o comportamento apresentado.
Divergências no relato
Existem inconsistências entre o relato feito no vídeo e o depoimento prestado na audiência de custódia. No vídeo, Bolsonaro indica que começou a mexer com a tornozeleira durante a tarde, enquanto na audiência afirmou que o incidente ocorreu após a meia-noite.
Juristas consultados ao longo do fim de semana apontaram para a possibilidade de se solicitar uma análise por uma junta médica independente. O objetivo seria verificar se a combinação de medicamentos poderia, de fato, ter provocado o alegado surto que fundamenta a tese da defesa para tentar reverter a prisão preventiva.


