Análise: Hugo buscou saída honrosa para Zambelli
Segundo análise de Clarissa Oliveira, ao Live CNN, Hugo Motta negociou renúncia da deputada para aliviar pressões sobre ela e evitar cassação, em meio a um Congresso turbulento com muitos temas polêmicos
A renúncia da deputada Carla Zambelli (PL-SP) ao seu mandato parlamentar, anunciada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), representa mais um episódio que aumenta a pressão sobre o comando da Casa, segundo análise de Clarissa Oliveira, ao Live CNN.
De acordo com a analista, Motta negociou uma "saída honrosa" para Zambelli, que está presa, condenada e foragida na Itália. A estratégia seria permitir que ela deixasse o foco das atenções e das polêmicas de maneira mais tranquila, possivelmente aliviando as pressões sobre ela junto ao Supremo Tribunal Federal e "pavimentando uma negociação melhor para ela no que diz respeito ao processo de extradição, para que ela possa continuar na Itália".
"Quando o Motta faz esse movimento, ele também está, de certa forma, sinalizando na direção dos outros parlamentares que estão na mira de perda de mandato", explicou Clarissa. A analista também lembra que Zambelli já teve seus direitos políticos cassados por condenações com trânsito em julgado, mas ao renunciar ao mandato, evita ser oficialmente cassada pela Câmara.
Estratégia política e corporativismo
Clarissa Oliveira destaca que esta manobra pode ser vista como um "termômetro" para casos semelhantes, como os de Alexandre Ramagem e Eduardo Bolsonaro, que também podem enfrentar perda de mandato por faltas.
"Por exemplo, pode ser que Eduardo Bolsonaro vai perder por falta, mas ninguém vai falar em cassação aqui", exemplificou: "Porque daí, se ele quiser voltar para o Brasil e ele não estiver condenado, com os direitos políticos perdidos, ele pode sempre disputar uma eleição e voltar para a Câmara dos Deputados".
A analista ressalta o jogo corporativista que aumenta a tensão em um Congresso Nacional que passa por um fim de ano extremamente turbulento, com muita pressão sobre o comando das duas casas legislativas e diversos temas polêmicos avançando sem a devida discussão.
"É muita pressão colocada em cima do comando das duas casas e muitos temas polêmicos que estão avançando sem a devida discussão", afirmou Clarissa, citando como exemplos o PL da Dosimetria, o PL Antifacção e a PEC da Blindagem: "O atropelo é muito evidente". Segundo ela, as etapas estão sendo puladas, com medidas sendo discutidas sem o devido amadurecimento do ponto de vista legal.
Para a analista, a agenda turbulenta do Congresso não está priorizando, em muitas situações, o interesse público. No caso específico de Carla Zambelli, Clarissa afirma: "A quem interessa que ela não seja cassada?"


