Análise: MP das blusinhas é chave na agenda eleitoral
Ao Live CNN, Clarissa Oliveira aponta que medida tem apoio sólido no Congresso e pode impactar intenções de voto antes do primeiro turno
A Medida Provisória conhecida como "MP das blusinhas" desponta como uma das principais apostas do governo na agenda política desta semana. Segundo a analista de política Clarissa Oliveira, o texto conta com alinhamento forte entre as duas casas do Congresso Nacional e é tratado como uma pauta de ação rápida.
Durante o Live CNN desta segunda-feira (31), Clarissa destacou que tanto a Câmara dos Deputados quanto o Senado Federal demonstram disposição para avançar com a medida.
"É ali onde existe um alinhamento mais forte, sólido, bem arquitetado entre as duas casas. Existe um sentimento de que esta é uma pauta que está dentro do jogo combinado", afirmou a analista.
Em contraste, outras pautas enfrentam cenário mais adverso. A proposta do fim da escala 6x1, por exemplo, deve encontrar resistência de setores do Congresso mais suscetíveis a pressões do empresariado.
"Não é algo que o próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), está se mostrando disposto a abraçar com força, especialmente antes do primeiro turno", apontou Clarissa.
Peso eleitoral
A importância da MP das blusinhas ganha ainda mais relevo diante dos recentes levantamentos de intenção de voto.
"Está muito claro nos números dos últimos levantamentos que o governo está sofrendo um desgaste, não está conseguindo trazer para si o eleitor independente e indeciso", disse Clarissa.
Nesse contexto, a medida é vista como uma oportunidade de entregar resultados concretos à população antes do pleito. A analista ressaltou que o governo busca propostas que possam ser percebidas rapidamente pelo eleitorado.
"O governo vai com tudo nessa questão das blusinhas. Isso é para garantir o quanto antes, porque ali tem efeito rápido e antes do primeiro turno da eleição. Depois do primeiro turno a gente vê o resto", afirmou.
Cenário fragmentado
Clarissa também comentou o crescimento de Augusto Cury (Avante) nas pesquisas. "Diz muito mais sobre o desgaste do atual governo e a dificuldade do seu maior adversário de convencer o eleitor do que sobre o próprio Augusto Cury", analisou.
Para a analista, o eleitor independente, aquele que não se identifica nem com o campo lulista nem com o bolsonarista, será determinante no resultado da corrida presidencial.
"Essa turma é que vai definir para onde vai a corrida presidencial deste ano pelo cenário que a gente está vendo hoje", concluiu.


