Análise: Normalização escalou misoginia digital

A analista Clarissa Oliveira aponta que a normalização da misoginia digital tem contribuído para o aumento de casos de feminicídio no Brasil

Da CNN Brasil
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A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar a trend "Caso ela diga não", que viralizou nas redes sociais e incita práticas de violência contra a mulher. A tendência consiste em pessoas simulando agressões a mulheres que recusam pedidos de casamento ou outras solicitações.

De acordo com a análise de Clarissa Oliveira, a normalização da misoginia nas plataformas digitais tem contribuído significativamente para o aumento dos casos de feminicídio no país. Especialistas apontam que o discurso de ódio contra mulheres nas redes encontra um terreno fértil onde homens podem diminuí-las e criar um ambiente favorável à violência.

"O que está em discussão aqui é a normalização da misoginia", explica. Ela destaca que existe um debate sobre a necessidade de criminalizar não apenas a violência física contra a mulher, mas também o discurso que incita o ódio contra elas, mesmo que seja apresentado como brincadeira.

 

 

O papel dos influenciadores digitais

Um dos exemplos citados pela especialista foi o caso do conhecido "Calvo do Campari", influenciador que passou muito tempo mobilizando as redes sociais com discursos que diminuem as mulheres e propagam a ideia de superioridade masculina. "Ele é um líder de milhões de pessoas que passam a seguir o discurso de ódio que ele propaga. Ele legitima esse ódio", afirma a analista.

Clarissa ressalta que uma trend como "Caso ela diga não" não ganharia milhares de seguidores se não houvesse validação desse comportamento. Por trás dessa tendência está a ideia de que "a mulher é feita para servir" e "tem a obrigação de aceitar" as demandas masculinas.

Especialistas em proteção à mulher e do meio jurídico relacionam frequentemente o aumento drástico do número de feminicídios ao componente da misoginia nas redes sociais. A sociedade e os legisladores precisam discutir não apenas a responsabilização das plataformas digitais, mas também de quem estimula esse tipo de comportamento violento.

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