Análise: Vorcaro blinda relações políticas em oitiva
Isabel Mega, no Live CNN, avalia depoimento do banqueiro na acariação que revelou contradições entre seu depoimento e o do ex-presidente do BRB
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo dos depoimentos do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, prestados em 30 de dezembro. A revelação do conteúdo expõe contradições entre as versões apresentadas por Vorcaro e pelo ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, durante acariação realizada no processo. Análise é de Isabel Mega no Live CNN.
"Olhando para o depoimento em si do Vorcaro, chama a atenção o fato de ele ser questionado sobre suas relações políticas", destaca a analista de Política da CNN. "Ele sai pela tangente nesta pergunta". Na oitiva, Vorcaro optou por não detalhar suas conexões políticas quando questionado sobre o tema. O banqueiro afirmou que "tem amigos em todos os poderes", mas disse que não conseguiria nominar essas relações e que não via relação delas com o caso investigado, efetivamente blindando suas conexões políticas.
A acariação deixou claras as divergências entre os depoentes, especialmente quanto ao teor das relações entre eles e à origem da compra que estava sendo efetuada sobre as letras de crédito. Essas contradições já vinham sendo apontadas em reportagens anteriores, mas agora foram oficialmente documentadas com a retirada do sigilo.
Preocupação no meio político
Mega explica que desde que o caso veio à tona, existe grande apreensão no meio político sobre o potencial impacto das investigações. Vorcaro era conhecido por ser bem relacionado tanto na Faria Lima quanto em Brasília, fato que ele próprio admitiu indiretamente em seu depoimento.
A analista também lembra de que há suspeitas envolvendo políticos da Bahia, tanto que empresários baianos também foram convocados a depor. Um parlamentar do estado é citado lateralmente nas investigações, motivo pelo qual o caso foi encaminhado ao STF. No entanto, até o momento, poucos nomes políticos foram diretamente implicados no processo.
Possível desmembramento do caso
Outro ponto relevante na decisão de Toffoli foi a abertura de caminho para um possível desmembramento do caso. O ministro indicou que, após a conclusão desta etapa investigativa, poderá determinar que o processo retorne para instâncias inferiores.
"Isso é bastante crucial porque tem muitas críticas no meio jurídico", avalia Mega. "Tem gente que nem vê materialidade suficiente para estar no STF".


