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    Anderson Torres é o maior interessado em apuração célere dos fatos, diz defesa

    Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a soltura do ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal

    O ex-ministro e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal Anderson Torres
    O ex-ministro e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal Anderson Torres Isac Nóbrega/PR

    Douglas Portoda CNN

    em São Paulo

    A defesa de Anderson Torres declarou, nesta quinta-feira (11), que o ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal é o maior interessado na apuração célere dos fatos.

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou sua liberdade provisória, afirmando que a prisão pode ser substituída por medidas alternativas.

    “Recebemos com serenidade e respeito a decisão do ministro Alexandre de Moraes de conceder liberdade ao Dr. Anderson Torres, que se encontrava preso desde o dia 8 de janeiro”, diz a nota assinada pelo advogado Eumar Novacki.

    “A defesa reitera sua confiança na Justiça e seu respeito irrestrito ao Supremo Tribunal Federal. O maior interessado na apuração célere dos fatos é o próprio Anderson
    Torres”, continua.

    Medidas cautelares

    Anderson Torres não poderá se ausentar do Distrito Federal, bem como deve permanecer em casa no período noturno e durante os finais de semana, com a utilização de tornozeleira eletrônica.

    Ele deve se apresentar ao Juízo da Vara de Execuções Penais do DF, no prazo de 24 horas após a saída da prisão, e posteriormente em todas as semanas, sempre nas segundas-feiras.

    Moraes ordenou ainda o afastamento imediato do ex-secretário do cargo de delegado da Polícia Federal (PF) até que a Suprema Corte delibere sobre o caso.

    Conforme a medida, o ex-ministro também está proibido de deixar o país e deve realizar a entrega de seus passaportes, que estão cancelados, em até 24 horas.

    Seu porte de arma de fogo está suspenso, inclusive de equipamento funcional, bem como quaisquer certificados de atividades de coleção de armamentos, tiro desportivo e caça.

    Também não poderá utilizar suas redes sociais e está proibido de se comunicar com os demais envolvidos no caso de sua prisão por qualquer meio.

    Veja todas as ações:

    • Proibição de ausentar-se do Distrito Federal e recolhimento domiciliar no período noturno e nos finais de semana mediante uso de tornozeleira eletrônica;
    • Afastamento imediato do cargo de delegado da Polícia Federal;
    • Obrigação de apresentar-se perante o Juízo da Vara de Execuções Penais do DF em 24 horas e comparecimento semanal, sempre às segundas-feiras;
    • Proibição de ausentar-se do país, com obrigação de entregar os passaportes à Justiça em 24 horas;
    • Cancelamento de todos os passaportes emitidos;
    • Suspensão imediata de quaisquer documentos de porte de arma de fogo em nome de Anderson Torres, inclusive a arma funcional;
    • Proibição de utilização de redes sociais;
    • Proibição de comunicar-se com os demais envolvidos nas investigações, por qualquer meio.

    Prisão

    Anderson Torres foi preso no dia 14 de janeiro após desembarcar no aeroporto de Brasília. Ele teve um mandado de prisão expedido por Moraes no dia 10 de janeiro – dois dias após os ataques criminosos contra as sedes dos Três Poderes em Brasília. Na ocasião, ele estava nos Estados Unidos.

    Torres ocupava o cargo de secretário de Segurança Pública do Distrito Federal no dia dos atos criminosos. Ele foi acusado de ser conivente e omisso na situação, não preparando um esquema capaz de proteger os Poderes contra os ataques, mesmo com a informação de que eles poderiam ocorrer.

    “As omissões do Secretário de Segurança Pública e do Comandante-Geral da Polícia Militar, detalhadamente narradas na representação da autoridade policial, verificadas, notadamente no que diz respeito à falta da devida preparação para os atos criminosos e terroristas anunciados, revelam a necessidade de garantia da ordem pública”, afirmou Moraes na decisão que determinou a prisão de Torres.