Após citação a irmão de Lula, CPMI do INSS tem confusão entre parlamentares

Comissão ouve, nesta quinta-feira (9), presidente de sindicato ligado a irmão do presidente Lula (PT)

Mateus Salomão e Lucas Schroeder, da CNN Brasil, Brasília e São Paulo
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A CPMI (Comissão Mista Parlamentar de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) registrou um princípio de confusão após o relator Alfredo Gaspar (União-AL) cogitar convocar o irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), caso o presidente do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical) continuasse em silêncio.

Quem depõe nesta quinta-feira (9) é Milton Baptista de Souza Filho, presidente do sindicato. Ele tem optado por não responder à maior parte dos questionamentos e permanecer em silêncio, mas o relator disse que gostaria de entender qual a posição hierárquica do irmão do presidente Lula no Sindnapi.

“E eu acho uma injustiça muito grande se o senhor permanecer em silêncio porque o seu silêncio pode trazer esse cidadão para ser ouvido aqui. O senhor é quem vai destrinchar qual a posição dele no Sindnapi. Está na mão do senhor a vinda do irmão do presidente da República para depor nesta CPMI.”

Após a declaração, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) interveio e afirmou que a o relator tentava intimidar o depoente. “Quem decide se alguém vai vir aqui ou não é a comissão, é o plenário da comissão”, completou.

A entidade é um dos focos da oposição pela ligação com José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, que é irmão do presidente e diretor vice-presidente da entidade.

Frei Chico, embora seja algo de diversos requerimentos da oposição, não teve o pedido de convocação aprovado. A CPMI, nesse primeiro momento, tem priorizado ouvir autoridades e os presidentes das entidades citadas.

Apesar de o Sindnapi estar entre os alvos de investigação da PF (Polícia Federal) e da CGU (Controladoria Geral da União), o vice-presidente da entidade não consta entre os investigados.

No depoimento, a CPMI deve questionar sobre valores repassados pelo INSS para o Sindnapi cresceram 564% em 5 anos, de 2020 a 2024. O montante recebido pela entidade a partir dos descontos nos benefícios saiu de R$ 23,2 milhões em 2020 e chegou a R$ 154,7 milhões no ano passado.

Na manhã desta quinta-feira (9), a PF (Polícia Federal) deflagrou uma nova fase da operação "Sem Desconto", que investiga o esquema bilionário de fraudes no INSS.

Um dos alvos foi o Sindnapi que, em nota, manifestou "surpresa" com as buscas. Por meio dos seus advogados, o sindicato reiterou "absoluto repúdio e indignação com quaisquer alegações de que foram praticados delitos em sua administração ou que foram realizados descontos indevidos de seus associados" (veja a íntegra do comunicado abaixo).

Veja a íntegra da nota do Sindnapi

O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (SINDNAPI), por meio de seus advogados, manifesta sua surpresa com o cumprimento de mandados de busca e apreensão na manhã de hoje em sua sede em São Paulo, bem como na casa de seu Presidente e alguns Diretores, em operação deflagrada pela Polícia Federal em nova fase da “Operação Sem  Desconto”.

Esclareça-se que os advogados não tiveram acesso ao inquérito policial, ao conteúdo das razões da representação policial ou dos fundamentos da decisão que autorizou a deflagração da medida cautelar, mas reitera seu absoluto repúdio e indignação com quaisquer alegações de que foram praticados delitos em sua administração ou que foram realizados descontos indevidos de seus associados.

A exemplo do procedimento adotado nas demais demandas judiciais, o SINDNAPI comprovará a lisura e legalidade de sua atuação, sempre em prol de seus associados, garantindo-lhes a dignidade e respeito que são devidos.