Após operação contra Jaques, governistas decidem destacar autonomia da PF
Tom de discurso mira distanciar caso do presidente Lula com defesa de investigações "doa a quem doer"; PT manifestou apoio ao senador

Parlamentares governistas adotaram discurso de evidência da autonomia da PF (Polícia Federal) após a operação que mirou o senador Jaques Wagner (PT-BA). Internamente, a orientação do PT é de defesa do congressista, mas a sigla mira distanciar o caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Vice-líder do governo na Câmara, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), usou as redes sociais para destacar a “independência” da PF ao responder uma publicação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Pré-candidato à Presidência, Flávio compartilhou uma notícia sobre a operação contra Wagner e citou que o senador é líder do governo no Senado.
“Não temos compromisso com o erro. Se alguém cometeu irregularidade, deve ser investigado e responder pelos seus atos. A diferença é que, no nosso governo, a PF trabalha com independência. Já Bolsonaro tentou interferir na instituição para proteger a própria família”, afirmou Lindbergh no X.
O deputado petista também afirmou que, no governo Lula, a PF tem autonomia para investigar qualquer pessoa. “Não existe blindagem, investigação seletiva ou perseguição política: todos devem responder perante a lei, doa a quem doer, sempre com respeito à presunção de inocência, ao contraditório e à ampla defesa”, disse.
Outro que falou sobre o tema foi o deputado Rogério Correia (PT-MG), também vice-líder do governo na Câmara.
Um dos congressistas mais eloquentes do partido na Câmara deixou clara a diferença entre Jaques e o presidente Lula. De acordo com ele, o mandatário já havia dito que a apuração de desvios deveriam seguir até o final “doa a quem doer”.
O discurso em prol da atuação da PF é semelhante ao adotado por Lula quando o seu filho mais velho, Fábio Luís da Silva, o "Lulinha", foi citado em investigações envolvendo fraudes em benefícios do INSS.
Correia também destacou que Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar a defesa enquanto as investigações estiverem em curso. Ele, no entanto, vinculou as fraudes do Banco Master ao grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“A PF está fazendo seu trabalho, e quem cometeu irregularidades deve responder por elas. Mas é preciso dizer com clareza: essas novas informações não mudam a gênese do escândalo do Banco Master, que é o BOLSOMASTER! A diferença é simples: Jair Bolsonaro proibia a PF de investigar e chegou a trocar ministro da Justiça para proteger os filhos das investigações. Lula nunca fez isso”, escreveu o deputado em publicação nas redes.
O deputado Nilto Tatto (PT-SP), vice-líder da federação governista, também saiu em defesa da atuação independente da PF em investigações que respingam em congressistas do PT. De acordo com ele, isso mostra que não há uma isenção da corporação nas gestões do partido.
“Se a Polícia Federal investiga um senador do PT durante o governo do PT, significa apenas uma coisa: que ela tem atuado com isenção. Aqui não tem uso de uma instituição pública para blindar amigos ou perseguir desafetos – errou ou saiu do caminho, tem que pagar”, destacou o deputado.
Presidente nacional do PT, Edinho Silva afirmou que Jaques é “depositário” de toda a confiança da sigla e irá esclarecer “todos os fatos” para comprovar sua inocência.
Na mesma linha de legitimação da ação da PF, Edinho também disse, em nota: “Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade. Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados".
À CNN, o senador Jaques Wagner (PT-BA) disse que nunca atuou em favor do Banco Master e que o dinheiro apreendido pela Polícia Federal é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais.
Leia a nota completa abaixo:
"O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas.
Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.
Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá".


