Aziz nega racha no G7, mas resume: ‘Não quero convidar para jantar em casa’

Presidente da CPI da Pandemia critica senadores que adotaram na sessão posições diferentes das combinadas nos bastidores

Bárbara Baião, Guilherme Venaglia e Jorge Fernando Rodrigues, da CNN, em Brasília e em São Paulo

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Em entrevista exclusiva à CNN nesta quarta-feira (26), o presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM), negou que tenha ocorrido um “rompimento” entre os senadores do grupo conhecido como G7 — que reúne parlamentares considerados de oposição e independentes —, mas indicou que a relação entre eles não é a mesma que tinham no início dos trabalhos.

“Eu não quero convidar ninguém mais para jantar na minha casa não, não tenho condições”, brincou Aziz, fazendo referência a uma reunião entre os parlamentares em que acordos feitos nos bastidores não teriam sido cumpridos em plenário.

Aziz afirmou que se irritou durante a sessão desta quarta-feira (26) porque havia sido acordado que nove governadores — além de Wilson Witzel, impedido no Rio de Janeiro — cujos estados estavam sob investigação da Polícia Federal seriam convocados, sem que prefeitos sejam chamados neste momento.

Ele disse que isso não teria sido cumprido já no segundo governador discutido, quando os senadores Humberto Costa (PT-PE) e Renan Calheiros (MDB-AL), ambos do G7, falaram contra a convocação do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB).

Senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Pandemia, falou sobre próximos
Senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Pandemia, falou sobre próximos passos da comissão
Foto: CNN Brasil (26.mai.2021)

“Aquilo que é acordado tem que ser cumprido, não pode mudar de opinião na hora”, disse o presidente da CPI, que reforçou a irritação também com um senador governista, Eduardo Girão (Podemos-CE). Depois de reunião em que se combinou os rumos da comissão, Girão cobrou durante a sessão a convocação de prefeitos e do governador da Bahia, Rui Costa (PT), sendo chamado de “oportunista” por Aziz.

Críticas aos requerimentos

Aziz falou também sobre requerimentos que julgou descabidos. Em outra indireta a integrantes do G7, criticou o pedido de convocação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), apresentado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que integra o grupo.

“Não temos poder de convocar presidente nem ministro do Supremo”, argumentou. “É fácil convocar o papa. Mas eu tenho poder para convocar o papa? Não tenho”, prosseguiu.

Aziz criticou também requerimentos que tratavam de pessoas e entidades que, segundo ele, estão além do alcance e escopo da CPI. O senador citou, como exemplos, a Organização Mundial da Saúde (OMS), a subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo e o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Maiurino.

Sobre Lindôra e Maiurino, o presidente da CPI afirmou que, na condição de procuradora e investigador, ambos não podem ser convocados como testemunhas para irem à comissão falar sobre o andamento dos inquéritos em que estão trabalhando.

Ele ainda afirmou que o procurador-geral da República, Augusto Aras, enviou mensagens aos senadores da comissão dizendo que consideraria descabida uma eventual convocação de Lindôra Araújo, uma das suas principais assessoras.

Quebra de sigilos

O senador afirmou que a possibilidade de quebra de sigilos de citados existe, mas que não será feita de forma “açodada” pelos parlamentares. “Temos que ter alguma substância e essa substância está chegando às nossas mãos pelos requerimentos que nós fizemos. Não há nenhuma possibilidade, neste momento, de fazermos alguma coisa açodada”, disse Omar Aziz.

A CPI da Pandemia está na sua quarta semana. Já foram ouvidos o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, seus três antecessores no cargo (Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello), o ex-chanceler Ernesto Araújo e o ex-secretário especial de Comunicação Fabio Wajngarten.

A comissão também ouviu a secretária de Gestão do Trabalho e Educação da Saúde, Mayra Pinheiro, e o executivo Carlos Murillo, presidente da Pfizer na América Latina. Nesta quinta-feira (27) ocorre a oitiva do diretor-presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas.

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