Bancada evangélica diverge sobre possível indicação de Jorge Messias ao STF

Homem de confiança de Lula e membro da Igreja Batista, ministro da AGU é visto como favorito para a Corte e trunfo para aproximar petista de segmento religioso

Jussara Soares e Gustavo Uribe, da CNN Brasil, Brasília
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A possível indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, ao STF (Supremo Tribunal Federal) provocou reações divididas entre parlamentares da bancada evangélica no Congresso.

Membro da Igreja Batista e homem de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Messias é considerado favorito para ocupar a vaga deixada pela aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso.

Enquanto parte dos deputados vê a escolha como um gesto político estratégico de Lula para se aproximar do eleitorado evangélico, outro grupo ressalta que Messias é um “evangélico de esquerda” e, portanto, não representaria os interesses majoritários do segmento.

Se confirmado, o AGU pode ser o segundo evangélico na Corte, depois do ministro André Mendonça, integrante da Igreja Presbiteriana e indicado em 2021 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Após a indicação presidencial, o candidato ao STF precisa ser sabatinado e aprovado pelo Senado.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), minimizou o alcance de uma eventual sinalização de Lula ao segmento religioso:

"Evangélico de esquerda representa 5% do total dos evangélicos. Caso Lula indique, estará indicando um esquerdista evangélico. Evangélicos esquerdistas não são 5% dos evangélicos", diz.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também apontou limitações na leitura política do Planalto. Para ela, Messias não é reconhecido como liderança religiosa, mas sim como um quadro jurídico ligado à esquerda.

"Ele não está sendo indicado por ser evangélico, mas por ser um jurista de esquerda, membro do grupo Prerrogativas e homem de confiança do presidente Lula. Ele é desconhecido do segmento evangélico", diz.

Por outro lado, parte da bancada avalia a indicação como um avanço no diálogo entre governo e evangélicos. O deputado Eli Borges (PL-TO) destacou que, embora Messias seja de esquerda, sua escolha poderia suavizar resistências:

"Com certeza é um avanço no relacionamento com o seguimento com evangélico. Melhor um Jorge Messias do que um perfil Flávio Dino”, disse.

O deputado Otoni de Paula (MDB-RJ), da oposição, foi além e disse que poderia trabalhar para fortalecer o nome do AGU.

"Se eu puder colaborar, vou fazer. O nome do Messias é altamente estratégico para o presidente Lula sinalizar à comunidade evangélica. Mesmo sendo de esquerda, ter um evangélico no STF equilibra um pouco mais a Corte", disse.

Entre os mais entusiasmados, o deputado Fausto Pinato (PP-SP) classificou Messias como uma escolha de alto impacto político e institucional.

"Uma excelente escolha. Além de ter preparo, se mostrou muito equilibrado. Sendo evangélico, ainda quebra a narrativa bolsonarista de que Lula é contra evangélicos. Seria uma tacada política de mestre", afirmou.