Banco Master: Apenas um terço do celular de Vorcaro foi periciado pela PF

Investigação aponta que banqueiro participava de grupo que monitorava pessoas consideradas adversárias e obtinha informações sigilosas, conforme apurou Tainá Falcão, no Bastidores CNN

Da CNN Brasil
Compartilhar matéria

A PF (Polícia Federal) analisou somente cerca de um terço do conteúdo do celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, segundo apurou Tainá Falcão, no Bastidores CNN. As informações coletadas nesse primeiro momento embasaram a decisão do ministro André Mendonça de determinar a nova prisão do banqueiro.

A investigação aponta para a atuação de um grupo de pessoas próximas a Vorcaro para monitorar indivíduos considerados por ele adversários e obter informações sigilosas. Esse grupo, intitulado "A Turma", foi criado para monitorar pessoas consideradas prejudiciais aos interesses do banqueiro, conforme revelado pela análise inicial do aparelho.

A operação deflagrada pela PF ainda tem um extenso volume de dispositivos para analisar. Foram apreendidos mais de 100 dispositivos, incluindo não apenas celulares, mas também computadores e HDs externos que ainda aguardam perícia. Isso indica que as investigações podem revelar ainda mais evidéncias sobre as atividades do grupo.

Participação de servidores pùblicos e ameaças

De acordo com as investigações, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como ‐Felipe Mourão‑, era o responsável por atividades como a coleta de dados das pessoas monitoradas, entre elas jornalistas. As apurações apontam que ele utilizava credenciais de terceiros para acessar sistemas restritos, incluindo bases da própria PF, do Ministério Pùblico e até de organismos internacionais.

As mensagens encontradas no telefone de Vorcaro indicam que ele teria até cogitado simular um assalto para agredir o jornalista Lauro Jardim, que publicava reportagens críticas ao banco. Em uma das mensagens, o banqueiro afirma que iria "dar um pau" e "quebrar todos os dentes" do jornalista.

A operação investiga crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas supostamente praticados por uma organização criminosa liderada por Daniel Vorcaro. Além dele, também foi preso Fabiano Zettel, seu cunhado, que seria responsável pelo pagamento dos funcionários informais que trabalhavam fornecendo informações sigilosas ao banqueiro.

Vorcaro já havia sido detido em novembro do ano passado na primeira fase da Operação Compliance Zero, que investigava a emissão de títulos de crédito fraudados no sistema financeiro. Na ocasião, ele foi preso no aeroporto de Guarulhos e posteriormente liberado para cumprir medidas cautelares com uso de tornozeleira eletrônica.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.