Bolsonaro determinou à PF que investigue declarações de Luis Miranda, diz Onyx

Ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência afirma que governo abrirá processo disciplinar contra o irmão do deputado, que atua no Ministério da Saúde

Guilherme Venaglia, da CNN, em São Paulo

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 O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) determinou a abertura, pela Polícia Federal, de uma investigação para apurar as declarações do deputado Luís Miranda (DEM-DF), que afirmou ter alertado o governo federal a respeito de irregularidades e pressões supostamente indevidas envolvendo a vacina Covaxin.

A afirmação foi feita pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, durante declaração à imprensa nesta quarta-feira (23).

O ministro afirma que o governo vai instaurar um procedimento administrativo disciplinar contra o irmão do deputado Luis Miranda, servidor do Ministério da Saúde, e propor à Procuradoria-Geral da República (PGR) que o parlamentar e o familiar sejam investigados por supostamente adulterar documentos.

De acordo com o ministro, o documento apresentado por Miranda para apontar possíveis irregularidades foi adulterado. Ele apresentou aquele que seria o documento original e correspondente à negociação, que teria passado por retificações.

Onyx afirma que a posição do governo é a de que não houve sobrepreço nem irregularidades na negociação pela Covaxin. “Não existe nenhuma irregularidade, existe o trabalho correto que foi feito pelo ministro Pazuello”.

Documentos apresentados pelo governo federal para rebater denúncias de irregular
Documentos apresentados pelo governo federal para rebater denúncias de irregularidades na compra da Covaxin (23.jun.2021)
Foto: CNN Brasil

O ministro disse que o deputado do DEM vai “se entender com a gente” e listou razões pelas quais julga que ele deva ser investigado.

“Deus está vendo. Mas o senhor não vai só se entender com Deus, vai se entender com a gente também. E vem mais. O senhor vai explicar e o senhor vai pagar pela irresponsabilidade, pelo mau-caratismo, pela má-fé, pela denunciação caluniosa e pela produção de provas falsas”, disse Onyx Lorenzoni.

O segundo a falar foi Élcio Franco, que foi secretário-executivo do Ministério da Saúde na gestão de Eduardo Pazuello e foi substituído após a chegada do novo ministro, Marcelo Queiroga.

Presidente Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro participou de evento para assinar contrato de transferência de tecnologia para vacinas nacionais
Foto: CNN Brasil

Segundo Franco, que estava no governo no momento das negociações pela Covaxin, o valor acertado pelo Ministério da Saúde, de US$ 15 a dose, é o preço praticado pela Bharat Biotech. 

Segundo relatos do embaixador do Brasil na Índia, André Aranha Corrêa do Lago, executivos da farmacêutica davam conta de que uma dose da vacina custaria cerca de 100 rúpias, aproximadamente US$ 1,34 (um dólar e trinta e quatro centavos). Os memorandos estão em documentos obtidos pela CPI da Pandemia e representariam que o país pode ter acertado um valor 1000% maior pela vacina.

O que disse o deputado Luís Miranda sobre a Covaxin e o governo Bolsonaro

O deputado Luís Miranda afirmou nesta quarta-feira (23) à CNN que levou pessoalmente ao presidente Jair Bolsonaro “provas contundentes” de irregularidades nas negociações para a compra da vacina Covaxin. 

“O presidente sabia que tinha crime naquilo”, disse o deputado. Miranda é irmão de um servidor do Ministério da Saúde que, segundo ele, teve conhecimento dos problemas. De acordo com o parlamentar, após o encontro, Bolsonaro ficou “convencido” e se comprometeu a acionar “imediatamente” a Polícia Federal.

“Entreguei a Bolsonaro. O caso não é só de pressão. É gravíssimo: tem desvio de conduta, invoice [nota fiscal] irregular, pedido de pagamento antecipado que o contrato não previa, quantidades diferentes”, disse Miranda à CNN.

Miranda afirmou que decidiu ir ao presidente porque seu irmão, Luis Ricardo Fernandes Miranda, estava sofrendo retaliação por resistir a anuir com as tratativas. Ele já havia sido exonerado de um cargo de confiança e, segundo o deputado, só retomou o posto após o próprio parlamentar procurar diretamente o então ministro Eduardo Pazuello.

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