Bolsonaro xinga Doria, Witzel e prefeito de Manaus e sugere armar população

Em vídeo de reunião ministerial, presidente afirma que seria 'facílimo impor uma ditadura' e critica chefes de executivos regionais que decretaram isolamento

Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), na reunião ministerial em 22 de abril, no Palácio do Planalto.
Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), na reunião ministerial em 22 de abril, no Palácio do Planalto. Foto: Marcos Corrêa/PR

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) xingou os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), e o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), durante a reunião ministerial do último dia 22 de abril. O presidente chega a dizer que “se tivesse armado, ia pra rua”, de acordo com a transcrição divulgada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

“O que esses caras fizeram com o vírus, esse bosta desse governador de São Paulo, esse estrume do Rio de Janeiro, entre outros, é exatamente isso. Aproveitaram o vírus, tá um bosta de um prefeito lá de Manaus agora, abrindo covas coletivas. Um bosta”, disse Bolsonaro.

O governador João Doria afirmou, nas redes sociais, que “o Brasil está atônito com o nível da reunião ministerial’. “Palavrões, ofensas e ataques a governadores, prefeitos, parlamentares e ministros do Supremo, demonstram descaso com a democracia, desprezo pela nação e agressões à institucionalidade da Presidência da República. Lamentável exemplo em meio a maior crise de saúde da história do país e diante de milhares de vítimas.”

Em sua manifestação, Wilson Witzel afirmou que “a falta de respeito de Bolsonaro pelos poderes atinge a honra de todos. Sinto na pele seu desapreço pela independência dos poderes”. O governador do Rio retomou a reunião acontecida nesta quinta-feira (21), em que Bolsonaro teve uma discussão considerada positiva pelos executivos estaduais. “O que o povo, governadores e prefeitos mais querem é aquele presidente ouvidor da nossa reunião de quinta-feira. Aquele presidente supostamente equilibrado”.

Já o prefeito Arthur Virgílio Neto disse que “não se surpreendeu com os insultos do presidente Jair Bolsonaro”, a quem chamou de “pessoa de baixo nível e que não tem mais a mínima condição de governar o Brasil”. 

As medidas adotadas são colocadas pelo presidente em um contexto de cobrança ao então ministro da Justiça, Sergio Moro, e ao ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, para que assinem uma “portaria” sobre o armamento. “É escancarar a questão do armamento aqui. Eu quero todo mundo armado! Que povo armado jamais será escravizado”. 

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“Que é fácil impor uma ditadura! Facílimo! Um bosta de um prefeito faz um bosta de um decreto, algema, e deixa todo mundo dentro de casa. Se tivesse armado, ia pra rua”, disse. “Por isso que eu quero, ministro da Justiça e ministro da Defesa, que o povo se arme”, em referência ao ex-ministro da Justiça Sergio Moro e o general Fernando Azevedo, titular da Defesa.

O armamento ainda é citado em outro trecho, quando o presidente Jair Bolsonaro lista as “bandeiras” que ministros deveriam aceitar para permanecer nos cargos. Discussões a respeito da legislação para armamento eram uma das principais divergências entre Bolsonaro e Moro.

Há ainda uma cobrança mais direta ao ex-ministro da Justiça a respeito dos prefeitos. O presidente Jair Bolsonaro critica a atuação de Moro em relação a “prisão por parte de prefeitos”. “Prefeitinho lá do fim do mundo, um jaguapoca dum prefeito manda prender. Tem que a Justiça se posicionar. .. se posicionar sobre isso, porra! Tem que se posicionar sobre isso, abertamente! Não admitimos prisão por parte de prefeitos, e o decreto!”, afirmou.

Em entrevista à rádio Jovem Pan na tarde desta sexta-feira, horas após a divulgação do conteúdo da reunião, Bolsonaro foi questionado se pediria desculpas aos governadores.

“Foi uma reunião reservada que não era pra ser divulgada, como vocês (jornalistas) fazem com a reunião de pauta aí, pode se dirigir à alguma autoridade assim. Agora que o vídeo já foi divulgado paciência, toca o barco aí”, disse o presidente.

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