Boulos chama Zema de "governador turista" por ausência em ato sobre Mariana

Ministro cumpre em Belo Horizonte sua primeira viagem oficial como chefe da Secretaria-Geral da Presidência

Lucas Schroeder e Renata Souza, da CNN Brasil, São Paulo
O ministro Guilherme Boulos  • Igor Graccho/Secretaria-Geral da Presidência
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O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência, criticou a ausência do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), em atos sobre os dez anos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), que acontecem nesta quarta-feira (5).

Boulos, que assumiu o ministério há uma semana, cumpre em Belo Horizonte sua primeira viagem oficial como chefe da pasta. Ao assumir o posto, Boulos afirmou que sua principal missão como ministro será ajudar a colocar o governo "na rua".

"É lamentável que o governador de Minas não esteja em Minas nessa data. Parece que é um governador turista. Passa 15 dias na Europa, depois vai para a Ásia. É triste ver uma situação dessa diante de um acontecimento de impacto internacional", disse em entrevista à Rádio Itatiaia.

O ministro afirmou que cumpre a agenda como representante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"É dever do governo do Brasil estar ao lado dessas famílias e relembrar isso que aconteceu para que nunca mais se repita. Lamentavelmente, o governador Zema não tem tido essa postura", acrescentou.

De acordo com a agenda oficial de Zema, o governador tem dois compromissos hoje no Rio de Janeiro. Às 18h, ele se reúne com o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, entre outros convidados, e às 20h participa remotamente da cerimônia de posse da diretoria eleita da Faemg ((Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais).

A CNN Brasil procurou a assessoria de Romeu Zema para comentar as declarações. Em resposta, o governo informa que "não realiza eventos públicos nas cidades nos dias das tragédias de Brumadinho e de Mariana por entender que é um momento de luto e reflexão das famílias e comunidades, que devem ser os protagonistas na data."

"O Governo de Minas se solidariza com os familiares das vítimas e todas as pessoas atingidas pelo desastre, e reafirma seu compromisso com a reparação efetiva dos danos causados. Neste momento de lembrança e de dor,  renova o compromisso de seguir trabalhando na reparação dos danos e para que tragédias como essa jamais se repitam", completou.

"A equipe da Superintendência Central de Reparação do Rio Doce, do Governo de Minas, que acompanha o cumprimento das ações de reparação e mantém diálogo com as famílias afetadas participa de solenidade em Mariana neste dia a convite da comunidade", finalizou.

Relembre o desastre ambiental

O rompimento da barragem ocorreu há exatos dez anos. Na ocasião, mais de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro foram despejados sobre uma comunidade inteira.

O desastre no subdistrito de Bento Gonçalves, próximo da cidade de Mariana, no interior de Minas, culminou na morte de 19 pessoas. De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais, três pessoas nunca foram encontradas.

Entre os efeitos do rompimento da barragem foram 600 pessoas desabrigadas e 1,2 milhão de pessoas sem acesso à água potável. Na natureza, o evento despejou 40 milhões de metros cúbicos (m³) de rejeitos foram despejados no meio ambiente, atingindo 49 municípios em Minas Gerais e Espírito Santo. A lama percorreu 663 km até atingir o mar.