Braga Netto coordenava ações "mais violentas" do plano de golpe, diz PGR

Procuradoria-geral da República aponta que função do grupo responsável por coordenar uma suposta tentativa de golpe de Estado seria monitorar e “neutralizar” adversários políticos

Da CNN Brasil*, São Paulo
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O ex-ministro da Defesa Walter Souza Braga Netto atuou junto ao “núcleo mais violento” da suposta trama golpista para organizar uma tentativa de golpe de Estado, de acordo com a PGR (Procuradoria-Geral da República). 

A procuradoria também aponta que a função do grupo responsável por coordenar uma suposta tentativa de golpe de Estado seria monitorar e “neutralizar” adversários políticos.  

Na avaliação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, o conjunto de provas reunidas indicam que Braga Netto participou ativamente do planejamento de golpe, que teria sido executado “clandestinamente por militares das Forças Especiais”, ligados ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Durante as investigações, foram encontrados documentos que “retratavam as pretensões golpistas do grupo”. Entre eles, a planilha denominada “Desenho Op Luneta”, que foi apreendida com o tenente-coronel Hélio Ferreira Lima, preso por suspeita de participar da tentativa de golpe de Estado no Brasil em 2022. 

Também foi citado a pasta denominada “memórias importantes”, que continha esboço da “Operação 142”. O documento foi encontrado na mesa ocupada pelo coronel Flávio Botelho Peregrino, então assessor de Braga Netto. 

Por fim, foi encontrado pela PF (Polícia Federal) o documento de cunho golpista na sede do PL em Brasília, na sala ocupada por Bolsonaro. Segundo policiais que participam da apuração, o documento apresentava supostas razões para decretar “estado de sítio” no país e aparentava ser um pronunciamento à nação. 

Gonet concluiu que a partir desses documentos foi idealizado o plano “Punhal Verde Amarelo”, um planejamento operacional que tinha como objetivo os assassinatos do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes. 

O plano foi impresso e encontrado no Palácio do Planalto pelo general Mário Fernandes, ex-secretário executivo da Secretaria-Geral da Presidência no governo Bolsonaro.

*Por Laura Molfese, sob supervisão de Mayara da Paz