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    Eleições 2022

    Campanha de Lula quer priorizar União Europeia e desacelerar OCDE

    América do Sul e África também são prioridades

    Caio Junqueirada CNN

    Os formuladores da política externa de um eventual novo governo Lula preveem, se o petista vencer, rever os termos do acordo entre União Europeia e o Mercosul e também o ingresso do Brasil na OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

    “A relação com a União Europeia é estratégica para o Brasil. Somos a favor do acordo, mas ele foi feito às pressas para beneficiar o [ex-presidente argentino) Maurício Macri. Então precisa de algumas revisões e ajustes. E a informação que tenho é de que os europeus também querem mudanças e ajustes. Vamos pensar então num acordo de cooperação que obviamente terá uma direção comercial para não acabar de desindustrializar o Brasil”, afirmou à CNN Celso Amorim, chanceler brasileiro na era Lula e que está à frente dos debates na campanha sobre o que seria uma eventual política externa em um novo governo petista.

    O foco no acordo reflete uma percepção comum nas conversas internas no PT sobre esta área: a União Europeia como grande parceira do Brasil se o petista vencer. Isso porque há receio de que o trumpismo ou algo semelhante a ele possa retornar nos Estados Unidos e que a relação com a China, embora seja positiva comercialmente, há muitos problemas de valores como democracia, direitos humanos e inclusão social.

    Nesse sentido, há uma aposta crescente nos bastidores da campanha em ampliar vínculos com a Europa e especialmente com quatro grandes forças do grupo: Alemanha, Espanha, França e Portugal. A avaliação é de que o continente poderá ajudar o Brasil a transitar em um mundo diferente do que de 2003, quando o PT assumiu o Itamaraty pela primeira vez.

    Hoje, ele é mais multipolar e o Brasil precisa se posicionar em equilíbrio aos diferentes players, em especial aos Estados Unidos, China e Rússia. Além disso, a agenda que o petismo pretende encampar é mais bem identificada com a agenda da União Europeia do que das outras forças mundiais, principalmente sobre clima, direitos humanos e imigração.

    Sobre a OCDE, umas das prioridades da política externa do governo Jair Bolsonaro, a ideia é desacelerar o processo de ingresso.

    “Antigamente se dizia que a OCDE era um selo de qualidade, mas vejo países que entraram e não se beneficiaram. Brasil já recebeu muito mais investimentos do que países que ingressaram na OCDE. Não tenho preconceito com a OCDE, mas não vejo como grande prioridade”, disse Amorim.

    A leitura dentro do PT é que muitos pontos que a OCDE exige para que um país seja seu integrante são desfavoráveis ao Brasil. Por exemplo, que países em geral possam realizar compras governamentais. O petismo acredita que isso prejudica a indústria nacional. Outro ponto é sobre a rigidez com regras de propriedade intelectual, algo que prejudica países pobres e em desenvolvimento. “OCDE é para países ricos. O Brasil não precisa disso”, completou Amorim.

    O PT tem considerado nos debates internos o contexto nacional para elaborar a sua política externa. A expectativa de que o bolsonarismo permanecerá e mais forte ainda mesmo em caso de derrota faz os formuladores da política externa preverem muita disputa em torno desta área e consequentemente o partido a já eleger como um dos temas para esta disputa. Por isso, a questão dos valores –democráticos, ambientais e de direitos humanos– deverão estar presentes, assim como temas ligados a pandemia — justamente um dos pontos fracos da gestão Bolsonaro.