Caso Master: PF aponta uso de logins do MPF em acessos sigilosos

De acordo com os investigadores, os acessos ocorriam por meio do uso de logins funcionais de terceiros, da extração indevida de documentos e de consultas não autorizadas em sistemas internos

Thomaz Coelho e Patrícia Nadir, da CNN Brasil, São Paulo
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A Polícia Federal identificou o uso de logins funcionais de servidores do MPF (Ministério Público Federal) para acessar processos sigilosos. A informação consta em relatório da investigação sobre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master.

Segundo a PF, a análise do conteúdo extraído do celular de Vorcaro revelou acessos recorrentes e irregulares a procedimentos sob sigilo não apenas no MPF, mas também na própria Polícia Federal, na Polícia Civil e no Banco Central.

“As mensagens evidenciam que havia acesso recorrente e irregular a procedimentos sigilosos em andamento no MPF, na Polícia Federal, na Polícia Civil e no Banco Central”, afirma o relatório.

De acordo com os investigadores, os acessos ocorriam por meio do uso de logins funcionais de terceiros, da extração indevida de documentos e de consultas não autorizadas em sistemas internos.

O documento afirma ainda que as informações protegidas por sigilo eram obtidas e utilizadas para “finalidades alheias ao interesse público”.

No quadro em que mostra as pessoas citadas na investigação, a PF aponta que o login de dois servidores foi utilizado repetidamente para acessar processos sigilosos do órgão.

A Polícia Federal registra que houve “possível uso indevido, com ou sem participação consciente”.

As informações constam dos documentos divulgados na noite desta quinta-feira (10), após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) derrubar o sigilo da apuração sobre o Caso Master a pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.

Monitoramento de autoridades e estrutura organizada

A Polícia Federal constatou que o ex-banqueiro formou uma "estrutura organizada, com divisão funcional de tarefas" voltada "à prática reiterada de condutas ilícitas em diversas frentes de atuação".

A partir da análise do conteúdo extraído do celular de Vorcaro, a PF apurou que seu "executor operacional", Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão -- referido como Felipe Mourão --, recebia R$ 1 milhão por mês para agir em nome do ex-banqueiro.

Entre suas atribuições no esquema, o relatório policial elenca o acesso ilegal a sistemas sigilosos, a coordenação da chamada "turma", além da realização de monitoramento, coação, retirada de conteúdo, ataques hackers e articulação com criminosos a mando de Vorcaro.