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    Cirurgia transcorreu normalmente e Lula sairá do hospital andando, diz equipe médica

    Além do procedimento no quadril, presidente também passou por uma correção nas pálpebras

    Douglas Portoda CNN

    São Paulo

    O médico Roberto Kalil disse, nesta sexta-feira (29), que a cirurgia no quadril do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) transcorreu normalmente e que ele está bem.

    De acordo com o médico, o chefe do Executivo deve ir para o quarto nas próximas duas horas, não necessitando ficar internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

    A alta do presidente deve acontecer entre a próxima segunda-feira (2) e a terça-feira (3). A médica Ana Helena Germoglio informou que ele sairá do hospital caminhando.

    Entretanto, Lula contará com o auxílio de andador por conta do equilíbrio, que deve voltar em algumas semanas.

    O médico Giancarlo Polesello, responsável pela cirurgia, explicou que o atrito nos ossos do presidente era bastante proeminente. Ele terá sintomas até a segunda semana, que até a sexta semana devem diminuir. As dores passarão até a décima semana.

    Lula fará exercícios para fortalecimento do local sozinho e com acompanhamento profissional.

    Kalil disse que a cirurgia foi realizada no Hospital Sírio-Libanês de Brasília por ser ortopédica e ter o risco de trombose, que poderiam ocorrer em uma viagem de avião, caso fosse feita em São Paulo.

    Correção nas pálpebras

    Além do procedimento no quadril, Lula também passou por uma correção nas pálpebras.

    Segundo Kalil, a questão das pálpebras não foi informada anteriormente porque ainda não estava confirmada.

    A blefaroplastia foi realizada por ele ter alterações no local, que o atrapalhava, sendo uma questão médica e não estética.

    Lula tem artrose e reclama de dores no quadril há meses

    A cirurgia foi a terceira de Lula no quadril. As duas primeiras, em julho, foram procedimentos pouco invasivos para aliviar as dores.

    Ele se queixa de um problema crônico de dores na região e foi diagnosticado com um quadro de artrose.

    Durante sua live semanal em julho, ele disse: “Eu quero fazer a cirurgia porque eu não quero ficar com dor. Ninguém consegue trabalhar com dor o dia inteiro”.

    “Quando eu coloco o pé no chão já dói e eu tenho que falar ‘bom dia’ e, às vezes, eu não consigo. Às vezes, fica visível no meu rosto que eu estou irritado, que eu estou nervoso. Você vai ficando uma pessoa, chata, incômoda. Então, eu tô chegando à conclusão que eu tenho que operar”, completou.

    A artrose é o desgaste da cartilagem que reveste nossas articulações. Ou seja, no local onde dois ossos se encontram, existe um tecido de cartilagem que age como amortecedor, facilitando a movimentação das articulações e liberando a amplitude dos movimentos.

    O desgaste das cartilagens ao longo da vida é um processo natural. Por isso, a artrose é mais comum em idosos. Quando ocorre no quadril, o processo leva a um desgaste especificamente da articulação na qual a cabeça do fêmur (osso da coxa) se liga ao acetábulo (parte do osso da pelve).

    Como é a cirurgia no quadril?

    De acordo com o médico Leandro Ejnisman, ortopedista especializado em quadril do Hospital Albert Einstein, em um quadro de artrose, a cartilagem pode “afinar” até o ponto no qual os ossos ficam expostos.

    “Começa a acontecer um contato de osso com osso dentro da articulação, o que gera um quadro de dor e de limitação da amplitude de movimento”, disse.

    “É uma cirurgia na qual a gente substitui a cabeça do fêmur por uma cabeça protética e é feito um revestimento na região da bacia conhecida por acetábulo, que é onde ocorre o encaixe da cabeça do fêmur na bacia, com uma taça ou uma cúpula acetabular”, explicou Ejnisman.

    A cirurgia costuma aliviar por completo a dor dos pacientes, possibilitando um retorno às atividades normais do dia-a-dia.

    Segundo o ortopedista, o procedimento não é tão simples e tem suas complexidades.

    “Necessita ser feito por um especialista em cirurgias de quadril, tem uma série de detalhes técnicos que são importantes”, falou. “Mas, apesar de complexo, ele tem um baixo índice de complicações e um resultado muito bom no alívio da dor”.

    Veja também: Após cirurgia, Lula deve trabalhar por 15 dias no Palácio da Alvorada