Conselheiro econômico tenta reduzir tensão entre Lula e mercado

Segundo empresários ouvidos pela CNN, a principal linha que ele tem adotado é no sentido de que um eventual novo governo Lula não deverá ir contra os sistemas produtivo e financeiro

Caio Junqueira

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O ex-presidente do banco Fator Gabriel Galípolo que, como revelou a CNN, tornou-se um dos principais conselheiros econômicos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta pré-campanha, tem conversado com empresários e representantes do mercado financeiro para tentar diminuir as tensões do mercado.

Além de ter trocado ideias com Lula, também falou com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad sobre economia.

Segundo empresários ouvidos pela CNN, a principal linha que ele tem adotado é no sentido de que um eventual novo governo Lula não deverá ir contra os sistemas produtivo e financeiro.

As perguntas dos empresários costumam abordar quatro pontos considerados essenciais. O primeiro é sobre autonomia do Banco Central. Como a própria Gleisi alertou no jantar de segunda-feira (4) à noite com empresários, o modelo atual será mantido e o presidente do BC, Roberto Campos Neto, cumprirá todo seu mandato até 31 de dezembro de 2024.

O segundo é sobre reforma trabalhista. Galípolo tem defendido que a legislação trabalhista precisa ser “atualizada”, e não revogada, como também já declarou a própria Gleisi. Diz que trabalhadores celetistas hoje são minoria e que é preciso dar proteção social a uma massa de informais e trabalhadores autônomos, como também é preciso garantir aos empresários previsibilidade e segurança jurídica nas relações de trabalho. Mas afirma não haver ainda um modelo acabado sobre o que seria a atualização das regras trabalhistas.

O terceiro ponto é sobre privatizações. Galípolo participou de processos de privatizações, como o da modelagem dos leilões da Cedae, da Cesp e da linha 6 do metrô paulista. Mas costuma dizer que um processo de privatização não pode ser um fim em si mesmo e que é preciso que seja bem estruturado e que haja garantias sociais, de melhoria e universalização do serviço para a população.

O quarto tema é a reforma fiscal. Ele considera, segundo seus interlocutores, que a motivação do projeto do teto de gastos apresentava uma crítica correta ao caráter pro-cíclico do arcabouço fiscal anterior. Em momentos de queda da economia, a arrecadação cai e o governo passa a cortar gastos para cumprir o superávit primário, acentuando a retração na economia, ocorrendo o inverso quando a economia cresce.

Para ele, é necessário considerar a qualidade do gasto e sua trajetória, de forma dinâmica, como em um plano de negócios, e não como algo estático, de modo a permitir que investimentos que estimulam o crescimento da economia, como em infraestrutura, ganhem participação no orçamento.

Ainda no intuito de reduzir suspeitas de que Lula possa promover uma política econômica intervencionista, Galípolo costuma dizer a interlocutores que Lula tem uma imagem internacional, a seu ver, positiva, não é desconhecido e suas gestões bem avaliadas, inclusive pelo mercado, e que o próprio Lula e o PT vêm emitindo sinais de que não pretendem radicalizar a gestão econômica.

Nas conversas, ele tem dito ainda ser pessoalmente a favor da transição para a economia verde, e que cada vez mais o mercado muda de uma esperança na viabilidade de uma terceira via para uma ansiedade para antecipar a política econômica de um novo governo Lula.

CNN realizará o primeiro debate presidencial de 2022. O confronto entre os candidatos será transmitido ao vivo em 6 de agosto, pela TV e por nossas plataformas digitais.

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