Constituição federal de 1988 completa 34 anos nesta quarta-feira (5)

Na promulgação, Ulysses Guimarães afirmou que se tratava de um "documento da liberdade, da dignidade, da democracia, da justiça social do Brasil"

Rafaela Lara, da CNN, em São Paulo
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Há 34 anos, o Brasil promulgava a atual Constituição Federal. O momento histórico para a democracia brasileira teve discursos marcantes no Congresso Nacional e parlamentares lotavam a casa.

Naquela data, o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Rafael Mayer, e o presidente da República, José Sarney, se encontraram no Congresso.

A promulgação da Constituição Federal assegurou o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como "valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias".

Em seu discurso no Congresso, Ulysses se levantou da cadeira e exibiu um exemplar da Constituição Federal.

De acordo com informações do Senado Federal, a nova Constituição foi promulgada às 15h50 do dia 5 de outubro de 1888 – completando 34 anos nesta quarta-feira (5).

Daquela data em diante, os congressistas, o presidente da República e do Supremo juraram "manter, defender, cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil".

Na promulgação, além de Ulysses que foi o último a falar, o então presidente José Sarney, o senador Afonso Arinos, presidente da Comissão de Sistematização do documento, também discursaram em defesa da Constituição.

Barroso relembra data a 25 dias do segundo turno

Nesta quarta, o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, tuitou que a Constituição propiciou "estabilidade institucional, estabilidade monetária e inclusão social".

"Somos a 4ª maior democracia do mundo. Nosso papel é preservá-la e aprofundá-la, derrotando a pobreza e priorizando a educação. Sem retrocessos", escreveu Barroso.

A lembrança da data acontece antes do segundo turno das eleições em 30 de outubro entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que exerceu dois mandatos (2003-2011), e Jair Bolsonaro (PL), que tenta a reeleição.

Barroso foi presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2020 até 2022, posto agora ocupado pelo ministro Alexandre de Moraes, que também integra o Supremo.

Antes do primeiro turno das eleições, o Partido Liberal (PL) afirmou haver uma série de falhas no TSE que podem afetar o resultado das eleições, citando como base em uma auditoria feita pela sigla.

Após a divulgação da nota, Moraes determinou que o documento seja incluído no inquérito das fake news.

“As conclusões do documento intitulado ‘resultados da auditoria de conformidade do PL no TSE’ são falsas e mentirosas, sem nenhum amparo na realidade, reunindo informações fraudulentas e atentatórias ao Estado Democrático de Direito e ao Poder Judiciário, em especial a Justiça Eleitoral, em clara tentativa de embaraçar e tumultuar o curso natural do processo eleitoral”, afirmou a Corte em nota.

O que a Constituição Federal diz sobre eleições e Justiça Eleitoral

"A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei".

É a Constituição Federal que determina a criação os órgãos da Justiça Eleitoral estabelecendo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como a mais alta Corte Eleitoral do país.

O documento, em seu parágrafo único, diz ainda que "todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição."

O artigo 2 estabelece que os três Poderes – Legislativo, o Executivo e Judiciário – "independentes e harmônicos entre si".

Também foi a Constituição que criou a licença-paternidade para os pais brasileiros. E, a partir de sua promulgação, a polícia não pôde mais realizar operações de busca e apreensão sem autorização judicial.

Foi no Salão Negro do Congresso Nacional que o documento entrou em vigor e, além da casa lotada, a cerimônia contou com a presença de autoridades internacionais, integrantes do então governo, militares, representantes de instituições religiosas e outros convidados.

Em 5 de outubro de 1988, Ulysses Guimarães assina os exemplares originais da Constituição após o Hino Nacional e sob aplauso dos presentes. Ulysses teve papel fundamental na elaboração do documento, que foi chamada por ele de Constituição Cidadã, pelos avanços sociais que incorporou em seu texto.