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    Corregedoria da Câmara de SP abre investigação contra vereador por fala racista

    Camilo Cristófaro proferiu a seguinte frase durante sessão da Casa: “não lavaram a calçada (…) é coisa de preto, né?”

    Vereador Camilo Cristófaro (Avante-SP)
    Vereador Camilo Cristófaro (Avante-SP) André Bueno/Câmara de São Paulo

    Douglas PortoCarolina FigueiredoGiulia Alecrimda CNN

    em São Paulo

    A Corregedoria da Câmara Municipal de São Paulo abriu, nesta quinta-feira (19), uma investigação contra o vereador Camilo Cristófaro (Avante) por uma fala de cunho racista, que vazou durante reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Aplicativos, em 3 de maio.

    A medida aconteceu após a relatora do caso, vereadora Elaine do Quilombo Periférico (PSOL), pedir inclusão na pauta de urgência e inversão de pauta. A solicitação foi acatada pelo órgão por seu parecer já estar pronto.

    Após isso, o corregedor-geral, vereador Gilberto Nascimento (PSC), leu um pedido de suspeição enviado por Cristófaro, alegando que Elaine já havia declarado seu voto em plenário antes de ser indicada como relatora e por seu partido ter entrado com uma representação. Entretanto, o colegiado considerou que a relatora não é suspeita.

    Próximos passos

    Na próxima sessão da Casa, a mesa diretora precisará ler o processo e os 55 vereadores votam sobre sua admissibilidade. É necessária maioria absoluta, com 28 parlamentares a favor.

    Segundo a Corregedoria, o presidente da Câmara, vereador Milton Leite (União), avisou que cumprirá o regimento, e na terça-feira (24) fará a leitura dos documentos e colocará o caso para apreciação.

    Após a aprovação, o caso volta ao órgão de investigação. Nessa etapa, Cristófaro poderá apresentar testemunhas e seus advogados conduzirão o processo de defesa.

    Em caso de continuidade, e um posterior pedido de cassação ou suspensão de até 90 dias, serão necessários 37 votos do plenário.

    Em áudio enviado à CNN, Gilberto Nascimento afirmou que “vamos sempre trabalhar com a justiça. Seremos o mais justos possível e dar o amplo direito à defesa a quem quer que seja”.

    Procurada pela CNN, a assessoria de Cristófaro informou que “por enquanto não vamos nos pronunciar, haja vista o procedimento ainda estar em andamento. Peço desculpas.”

    Entenda o caso

    Um trecho da fala de Camilo Cristófaro passou a circular nas redes sociais. No áudio, é possível ouvir o vereador dizendo: “Não lavaram a calçada (…) é coisa de preto, né?”

    O parlamentar comentou sobre o caso em uma reunião do Colégio de Líderes da Casa e pediu desculpas “se alguém se sentiu ofendido”.

    “Eu queria primeiro, se alguém se sentiu ofendido –e eu acho que deve se sentir–, eu peço desculpa por um contexto que eu fiz com ele e que ele faz comigo”, comunicou o vereador, sem informar a quem se referia.

    “Então, é uma brincadeira nossa. Tanto é que ele é um cara que frequenta a minha casa. É uma pessoa que eu me orgulho”, acrescentou.

    Um dia após o episódio, em 4 de maio, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) desfiliou Cristófaro. Em nota, a legenda confirmou a ação  “antes mesmo de o diretório estadual acolher denúncia e instalar procedimento de investigação e julgamento contra o parlamentar.”

    “Como o processo de expulsão levaria mais tempo, com direito a contraditório e ampla defesa, o presidente estadual Jonas Donizette aceitou pedido de desligamento encaminhado pelo vereador no dia 28 de abril.”