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    CPI da Pandemia entra nas semanas finais; veja os próximos depoimentos

    Relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), pretende enviar relatório no dia 24

    Tainá Farfanda CNN

    em Brasília

    A CPI da Pandemia deve entrar em sua penúltima semana de trabalho, segundo previsão do relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), que espera que o relatório final seja entregue até 24 de setembro. O documento deve abordar a influência do governo federal na propagação do novo coronavírus no país e o atraso na compra de vacinas.

    Nesta semana, a CPI vai focar na investigação sobre a intenção de compra da vacina indiana Covaxin, que teve a intermediação da Precisa Medicamentos. O objetivo dos depoimentos será fechar as lacunas sobre o assunto.

    O calendário da comissão foi confirmado pelo presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM). Na terça-feira (14), será ouvido o empresário e advogado, Marcos Tolentino. Ele é apontado por senadores da comissão como sócio oculto do FIB Bank, entidade que teria emitido uma carta de fiança usada pela Precisa na negociação da compra pelo Ministério da Saúde de vacinas da Covaxin. Além disso, Tolentino é uma pessoa muito próxima do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), que também é alvo das investigações da CPI.

    O depoimento de Tolentino estava agendado para o dia 1º de setembro. No entanto, ele apresentou um atestado médico para os senadores e alegou que estava internado. A situação desagradou a CPI, uma vez que Tolentino deu uma entrevista para um portal naquele mesmo momento. Diante disso, os senadores afirmaram que ele teria que prestar um depoimento à comissão de qualquer jeito.

    Na quarta-feira (15), será a oitiva do advogado Marconny Faria, que é apontado como lobista da Precisa Medicamentos. Os senadores também buscarão entender a relação de Marconny com o filho mais novo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Jair Renan Bolsonaro, e com a mãe dele e ex-mulher do presidente, Ana Cristina Valle.

    O depoente havia sido convocado para comparecer no dia 2 de setembro, mas enviou um documento ao colegiado no dia anterior dizendo que não iria à oitiva, pois “padecia de dores pélvicas”.

    Horas depois, no entanto, o médico que concedeu o atestado a Faria entrou em contato com os membros da CPI e reconheceu o documento, mas relatou ter notado “uma simulação por parte do paciente” e que, por isso, desejava cancelá-lo.

    O fato gerou uma reunião secreta de última hora dentro da comissão e uma sessão de muita insatisfação por parte dos senadores que acabaram adotando medidas drásticas em relação à Marconny, como, por exemplo, condução por parte da Polícia Legislativa, que apesar de ter ido à procura dele não o encontrou.

    Na quinta-feira (16), a cúpula da CPI pretende ouvir a advogada Karina Kufa, que defende membros da família Bolsonaro. Embora o depoimento ainda não esteja confirmado, a intenção de Aziz é que a advogada explique a relação com Faria e o suposto envolvimento em negociações do Ministério da Saúde.

    Autor do requerimento de convocação da advogada, o vice-presidente da CPI Randolfe Rodrigues (Rede-AP), destacou que a convocação não se deu pelo trabalho dela junto a Bolsonaro, “e sim pelos diálogos que ela teve com vários lobistas que estão sendo investigados nessa CPI”.