CPI da Pandemia: oitava semana terá oitivas com Osmar Terra e Filipe Martins

Ambos são suspeitos de integrar o 'gabinete paralelo' que orientaria o presidente Jair Bolsonaro sobre decisões relacionadas à pandemia de Covid-19

Renato Barcellos, da CNN, em São Paulo

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Após uma semana marcada por abandonos e até suspensão de sessão, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia inicia nesta terça-feira (22) sua oitava semana de trabalhos.

Estão previstos os depoimentos do ex-ministro da Cidadania e deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), do sócio da Precisa Medicamentos Francisco Emerson Maximiano, do assessor internacional da Presidência da República Filipe Martins, do epidemiologista, pesquisador e professor da Universidade Federal de Pelotas Pedro Hallal, e da diretora-executiva da Anistia Internacional e representante do Movimento Alerta Jurema Werneck.

Ex-ministro da Cidadania Osmar Terra, e o assessor da Presidência Filipe Martins
Ex-ministro da Cidadania e deputado federal (MDB-RS), Osmar Terra, e o assessor internacional da Presidência da República Filipe Martins
Foto: Reprodução/CNN e Divulgação

Confira abaixo quem prestará depoimento à CPI:

Terça-feira (22) – Osmar Terra, ex-ministro da Cidadania e deputado federal (MDB-RS)

Osmar Terra
Ex-ministro da Cidadania e deputado federal Osmar Terra durante audiência pública na Câmara dos Deputados (04.abr.2019)
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Nesta terça-feira (22), os senadores vão ouvir o ex-ministro da Cidadania e deputado federal Osmar Terra (MDB-RS). O parlamentar é apontado como integrante de um suposto gabinete paralelo que orientaria o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre decisões relacionadas à pandemia de Covid-19.

Inicialmente, os senadores aprovaram a convocação do deputado. Após pedido do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), no entanto, a convocação foi transformada em convite. Dessa forma, o ex-ministro pode não comparecer à sessão ou deixar a reunião a qualquer momento.

A presença de Terra foi requerida pelos senadores Alessandro Vieira (sem partido), Humberto Costa (PT-PE), Rogério Carvalho (PT-SE) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Quarta-feira (23) – Francisco Emerson Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos

Na quarta-feira (23) será a vez do sócio da Precisa Medicamentos Francisco Emerson Maximiano prestar depoimento à CPI.

A empresa em que Maximiano é sócio é investigada por intermediar a compra da vacina Covaxin pelo governo federal.

O processo de aquisição do imunizante fabricado pela indiana Bharat Biotech foi o mais célere de todos, mesmo com dúvidas em relação à eficácia.

Segundo o senador Alessandro Vieira — autor de um dos requerimentos para a convocação do empresário –,  é necessário apurar se houve algum tipo de beneficiamento ilícito na negociação. 

Quinta-feira (24) – Filipe Martins, assessor internacional da Presidência da República

Filipe Martins
Filipe Martins, assessor da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República
Foto: Divulgação

Personagem polêmico, o assessor internacional da Presidência da República Felipe Martins será ouvido pela CPI na quinta-feira (24). Ele também é apontado como integrante do suposto gabinete paralelo.

Martins deve ser questionado acerca da participação dele em uma reunião com representantes da farmacêutica Pfizer. 

Durante depoimento do ex-CEO da empresa na América Latina à CPI, Carlos Murillo afirmou que funcionários da farmacêutica se reuniram com o ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fabio Wanjgarten, da qual também participaram o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e Filipe Martins.

Para os senadores Humberto Costa e Rogério Carvalho, a participação do assessor nessa negociação reforça a tese da existência de um “gabinete paralelo” ao Ministério da Saúde. 

Sexta-feira (25) – Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional e representante do Movimento Alerta, e Pedro Hallal, epidemiologista, pesquisador e professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel)

A diretora executiva da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck
A diretora executiva da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck
Foto: CNN Brasil (19.out.2020)

Com a presença requisitada por Humberto Costa (PT-PE) e Renan Calheiros (MDB-AL), Jurema Werneck prestará depoimento à CPI na sexta-feira (25).

A médica coordena o Movimento Alerta, que consolida dados sobre a pandemia no Brasil. Fazem parte do movimento a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Oxfam Brasil, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a Anistia Internacional Brasil, a Arquidiocese de São Paulo, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e diversas outras entidades.

Renan Calheiros, relator da CPI, lembra que o Movimento Alerta tem um estudo da Universidade de São Paulo (USP) com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com um levantamento do excesso de mortalidade em cada Estado brasileiro, com foco nas falhas de qualidade do atendimento do sistema de saúde.

Jurema Werneck é também diretora da Anistia Internacional no Brasil, autora do Livro da Saúde das Mulheres Negras: Nossos Passos Vêm de Longe, e integra o Grupo Assessor da Sociedade Civil da ONU para Mulheres no Brasil, além do conselho diretor do Global Fund for Women. 

Pedro Hallal. infectologista
Foto: CNN Brasil

O epidemiologista, pesquisador e professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Pedro Hallal também será ouvido na sexta.

O especialista é responsável pelo Epicovid-19, um estudo sobre a prevalência do novo coronavírus na população gaúcha. 

Aos senadores, o médico deve ainda ressaltar a comparação do quadro epidemiológico brasileiro com o restante do mundo e a importância de ouvir a ciência neste momento.

Requerimentos

Além das audiências, a CPI vai votar na próxima semana requerimentos importantes, muitos ligados às acusações do ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel.

A CPI deve votar na próxima semana o requerimento de audiência privada de Witzel, além da quebra de sigilo de pessoas ligadas às organizações sociais que atuam nos hospitais federais do Rio de Janeiro.

É esperado também que a comissão convoque Claudio Castro, atual governador do Rio de Janeiro, e o secretário de Saúde fluminense, Alexandre Chieppe.

Vai ser feito também um requerimento ao Ministério da Defesa sobre os voos que a médica Nise Yamaguchi fez com aviões da FAB desde janeiro do ano passado.

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