CPI ouve executivo da Pfizer sobre negociação de vacinas com o Brasil

Nesta quarta-feira (12), o ex-secretário de Comunicação Fábio Wajngarten admitiu que o governo levou mais de dois meses para responder carta da empresa

Gregory Prudenciano, da CNN, em São Paulo

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia vai ouvir nesta quinta-feira (13), às 9h, o gerente geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo. Em 2020, quando começaram as tratativas entre o governo brasileiro e a farmacêutica de origem americana para a compra de imunizantes contra a Covid-19, Murillo era CEO da empresa no Brasil. 

Originalmente, a CPI havia convocado Marta Díez, atual presidente da empresa no Brasil, mas a Pfizer pediu que Murillo fosse em seu lugar para “esclarecer os fatos relacionados às negociações com o governo federal desde 2020 para a aquisição de vacinas da Pfizer”. Díez assumiu o cargo atual em fevereiro de 2021.

Na sessão de quarta-feira (12), a CPI ouviu o ex-secretário especial de Comunicação da Presidência da República, Fabio Wajngarten, que disse à revista “Veja” que o Brasil não comprou antes as vacinas da Pfizer por “incompetência” do Ministério da Saúde.

Wajngarten confirmou aos senadores que a Pfizer enviou uma carta a integrantes do governo brasileiro, inclusive ao presidente Jair Bolsonaro e ao então ministro da Saúde Eduardo Pazuello, oferecendo doses de sua vacina. A carta, enviada em 12 de setembro de 2020, só foi respondida, segundo o ex-secretário, em 9 de novembro, quando ele soube da existência do documento. 

A expectativa é que Carlos Murillo especifique o contexto em que a carta foi enviada e explique também os termos do contrato proposto pela farmacêutica ao governo brasileiro. Parlamentares governistas argumentam que houve uma postura “leonina” da Pfizer, e que foi isso que levou à demora na compra dos imunizantes. 

Hoje, o Brasil tem dois contratos com a Pfizer, cada um deles de 100 milhões de doses da vacina. Até o momento, foram entregues 2,2 milhões de doses ao país. 

Votação de requerimentos

Além do depoimento do gerente geral da Pfizer na América Latina, estão previstas votações de novos requerimentos na sessão desta quinta-feira da CPI da Pandemia. 

Entre os pedidos, estão as convocações de duas médicas reconhecidas por suas defesas do chamado “tratamento precoce” da Covid-19, com medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença causada pelo novo coronavírus. 

Serão votados os requerimentos de convocação de Mayra Pinheiro, secretária do Ministério da Saúde, e de Nise Hitomi Yamaguchi, oncologista e imunologista que chegou a ser cotada para comandar o Ministério da Saúde. 

Outro alvo dos senadores que compõem a CPI é o Ministério das Relações Exteriores, alvo de quatro requerimentos. A comissão quer ter acesso a comunicações oficiais, recebidas ou enviadas pelo Itamaraty, que falem a respeito da obtenção de cloroquina, hidroxicloroquina e vacinas contra a Covid-19. 

A CPI também quer do Itamaraty informações sobre declarações do presidente da República a respeito de uma suposta “guerra química, bacteriológica e radiológica” que estaria em andamento no mundo. 

No dia 5 de maio, Bolsonaro falou dessa “guerra” e levantou suspeita de que o coronavírus causador da Covid-19 tenha sido produzido em relatório. As falas foram criticadas por integrantes da CPI da Pandemia, entre eles o presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM). 

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