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    De confeiteira a suplente de vereador: quem são os acusados de atentar contra democracia no RJ

    Dois dos alvos foram presos, um homem segue foragido

    Atos criminosos do dia 8 de janeiro em Brasília
    Atos criminosos do dia 8 de janeiro em Brasília Lucas Neves/Enquadrar/Estadão Conteúdo

    Pedro DuranCleber Rodriguesda CNN

    no Rio de Janeiro

    “Tudo tem que ser com respeito, eu acho que pichação é coisa de vândalo”. “Se roubou tem que ser preso, se fez errado tem que pagar. Ponto”. As frases são de pessoas acusadas de terem patrocinado, organizado e participado de atos antidemocráticos pelo Brasil e, consequentemente, alvos de operação da Polícia Federal deflagrada nesta semana.

    Carlos Victor Carvalho, Roberto Henrique de Júnior e Elizângela Cunha Pimentel Braga têm histórias distintas, mas se unem por dois fatos em comum: as críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os mandados de prisão na Operação Ulysses.

    A frase que defende que pichação é vandalismo é de Carvalho, que segue foragido da Justiça. Ele foi alvo de intolerância política e teve muros do bairro pichados depois de fazer uma manifestação anti-Lula em Campos dos Goytacazes. Defendeu a comparação com vândalos em uma entrevista no canal JF Talk Show.

    “Eu acho que isso aí não é política, infelizmente essa é a forma deles. Intolerância total”, acrescentou.

    As pichações foram uma das ferramentas de destruição empregadas em Brasília por manifestantes antidemocráticos. O principal alvo desse tipo de vandalismo foi a estátua Têmis, do artista Alfredo Ceschiatti, que fica em frente ao edifício do Supremo Tribunal Federal.

    Carvalho é conhecido como CVC da Direita e participa de um grupo político na cidade onde vive. Nas eleições de 2020 teve 2.292 votos entre os cerca de 500 mil moradores da cidade. Ficou em 13º lugar na eleição para vereador e, portanto, se tornou suplente na atual legislatura.

    Ele se apresenta como um líder cristão e conservador, além de administrador, ‘anti-comunismo’ e contra o aborto. O movimento liderado por ele, Direita Campos RJ, tem 8 mil seguidores no Facebook.

    O apoio a Bolsonaro também é evidente na página do Tiktok da confeiteira Elizângela Cunha Pimentel Braga, dona de um food truck de doces que atende os moradores de Itaperuna, município de cerca de 100 mil habitantes a duas horas de distância de Campos.

    Entre línguas-de-sogra, cajuzinhos e bolos confeitados e floridos, a confeiteira de 48 anos posta vídeos de apoio a Bolsonaro, críticas a Lula e até a presença em manifestações de apoio ao ex-presidente.

    A última postagem foi na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando Elisângela postou uma videomontagem que sugere que as redes dela estariam ‘emprestadas’ a Bolsonaro. “Se você não gosta de ver, volta depois do dia 30, tá?”, dizia a narração escolhida. Ela se entregou à Polícia Federal na noite desta segunda-feira (16).

    Roberto Henrique de Souza Júnior, também conhecido – pelo menos nas urnas – como Júnior Bombeiro, parece não ter tido uma atividade tão intensa nas redes sociais nos últimos anos. Na campanha eleitoral de 2018, no entanto, o então candidato a deputado federal lançou mão de vídeos e fotos para propagandear sua tentativa de ocupar uma cadeira no parlamento.

    A Câmara dos Deputados almejada pelo subtenente foi um dos alvos das manifestações antidemocráticas e da ação de vândalos no dia 8 de janeiro. Novas imagens das câmeras de segurança do prédio, divulgadas nesta terça-feira (17), mostram barulhos de explosões, fumaça, tentativa de invasão ao plenário, a pressão de barreiras policiais e a tentativa de agredir os policiais legislativos com chutes e arremessos de objetos.

    O plano de ocupar uma das 44 cadeiras da bancada fluminense na Câmara não deu certo para Júnior Bombeiro. Então aliado a Cabo Daciolo, também bombeiro e candidato pelo Patriotas à presidência, Souza Júnior amargou apenas 1.260 votos, ficando em 907° lugar entre 1154 candidatos.

    A CNN apurou que Souza Júnior chegou a ser excluído da corporação mas foi beneficiado com uma lei que anistiou bombeiros, e acabou voltando. Os últimos salários pagos ao agente público foram de R$ 16,4 mil.

    O comando do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro disse, em nota, que acompanha os trabalhos da PF e “segue ao dispor das autoridades para colaborar nas investigações”.

    “O Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro repudia veementemente quaisquer atos que ameacem o Estado Democrático de Direito”, afirmou o secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Leandro Monteiro. Ele considerou a participação de integrantes da tropa nos atos como “inadmissível”.

    A CNN tentou contato com os três alvos da Operação Ulysses e não obteve nenhum retorno até o fechamento desta reportagem.