Decisão da ONU sobre parcialidade de Moro é peça de publicidade para Lula, diz professor

Comitê de Direitos Humanos da ONU concluiu que o ex-juiz foi parcial no julgamento dos processos contra o ex-presidente no âmbito da Operação Lava Jato

Anna Gabriela CostaElis Francoda CNN

em São Paulo

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O Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) concluiu nesta quarta-feira (27) que o ex-juiz Sergio Moro foi parcial no julgamento dos processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no âmbito da Operação Lava Jato. Em entrevista à CNN, o professor e cientista político Carlos Mello afirmou que considera que a conclusão é peça publicitária importante para o petista.

A definição da ONU inclui ainda que os direitos políticos de Lula foram violados em 2018, por ter sido impedido de participar da disputa presidencial naquele ano.

“É uma peça de publicidade fantástica. Já há na argumentação do ex-presidente a liberação que ele acabou tendo do STF –ele não foi absolvido, mas os processos foram anulados. Ele já tem esse argumento e agora ele tem o argumento de uma instituição internacional, multilateral”, afirmou o cientista político.

O resultado do julgamento não deve acarretar punição específica a Moro, mas o Estado brasileiro tem a obrigação de seguir a recomendação do colegiado.

O comitê da entidade é responsável por supervisionar o cumprimento do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, do qual o Brasil é signatário.

Segundo o cientista político, a decisão da comissão da ONU provavelmente será utilizada em campanhas eleitorais do ex-presidente Lula e do PT.

“Do ponto de vista propagandístico, isso certamente vai entrar na campanha eleitoral. Nos programas de televisão do ex-presidente e do PT, é uma peça de publicidade importante, por mais que o ex-ministro Sergio Moro tente justificar”, disse Mello.

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