Defesa de Roberto Jefferson vai anexar prontuário da carceragem a processo

Objetivo é conseguir autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para que ex-parlamentar seja internado em hospital particular no Rio

Alexandre de Moraes determinou prisão do ex-deputado Roberto Jefferson
Alexandre de Moraes determinou prisão do ex-deputado Roberto Jefferson Valter Campanato/Agência Brasil

Stéfano Sallesda CNN

no Rio de Janeiro

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Depois de o ministro no Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ter mantido a prisão provisória do ex-deputado federal Roberto Jefferson, a defesa do presidente nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) reúne os documentos do prontuário de atendimento na unidade médica do presídio Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8). Na decisão, o ministro alegou que os problemas de saúde do investigado não foram comprovados no processo, o que a defesa nega.

Advogado de Jefferson, Luiz Gustavo Pereira entende que todos os problemas de saúde do cliente têm sido comprovados no processo. Com a documentação anexada em uma petição, no mesmo inquérito, o objetivo agora será fazer com que o ministro libere a transferência do ex-deputado federal para o Hospital Samaritano, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.

Roberto Jefferson já passou por diversas cirurgias, consequência de quatro tipos de câncer que já desenvolveu, além de ter realizado uma bariátrica. Quando Jefferson foi internado, a filha dele, a também ex-deputada Cristiane Brasil revelou que o pai sofre de pielonefrite, uma infecção no rim provocada por bactéria.

“Nós comprovamos os problemas de saúde dele desde o início. Alexandre de Moraes alega que apresentamos laudos de hospitais particulares. Então, vamos juntar agora documentos do sistema de saúde pública, com dados da unidade de atendimento do próprio sistema carcerário. Roberto Jefferson está com um grau de bactéria no sangue muito elevado. Ele tem pielonefrite aguda bilateral, além de ser um paciente oncológico”, afirma o advogado.

A intenção é apresentar a petição assim que a secretaria estadual de Administração Penitenciária libere os documentos médicos de Roberto Jefferson, o que pode acontecer ainda nesta quarta-feira (1º).

“Nós estamos pedindo a transferência dele para o hospital, não é nem de domiciliar, nós queremos levá-lo única e exclusivamente para o hospital. É uma questão humanitária. Alexandre de Moraes e o STF soltam diariamente dezenas de criminosos perigosos, e deixam um senhor de 68 anos, paciente oncológico, preso por opinião”, conclui Pereira.

Instada por Moraes a se manifestar antes da decisão, a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu que Jefferson cumprisse prisão domiciliar, utilizando tornozeleira eletrônica, e que fosse revogada a prisão preventiva. O parecer foi da subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo.

No entanto, nesta segunda-feira (30) foi tornado público que Lindôra denunciou o ex-parlamentar por incitação ao crime de homofobia. Na denúncia, ela detalha entrevistas nas quais Roberto Jefferson teria estimulado a população a invadir o Congresso e a atacar instituições, como o STF.

O presidente do PTB está preso desde 13 de agosto, em Bangu 8, por decisão de Alexandre de Moraes, relator do inquérito das milícias digitais.

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