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    Defesa diz que réu do 8 de janeiro é “menino” e queria evitar que país virasse Venezuela

    Matheus Lázaro é acusado por cinco crimes, incluindo golpe de Estado; segundo a PGR, ele invadiu o Congresso e foi preso na praça do Buriti

    Larissa Lopes de Araújo, responsável pela defesa de Matheus Lima de Carvalho Lázaro
    Larissa Lopes de Araújo, responsável pela defesa de Matheus Lima de Carvalho Lázaro Reprodução/CNN Brasil (14.set.2023)

    Lucas Mendesda CNN

    em Brasília

    A defesa do terceiro réu pelos atos de 8 de janeiro a ser julgado no Supremo Tribunal Federal (STF) disse nesta quinta-feira (14) que ele veio a Brasília para evitar que o país se tornasse uma “Venezuela”.

    A advogado Larissa Lopes de Araújo, responsável pela defesa de Matheus Lima de Carvalho Lázaro, afirmou que o réu é inocente e foi alvo de “lavagem cerebral” porque ele sequer sabia o que significa intervenção militar.

    “Mas na cabeça dele isso era bom para o país. Para ele, a intenção da ‘intervenção militar’ era proteção do Exército, para que o país não virasse uma Venezuela”, declarou. “Veio para um sonho, um ideal de um Brasil melhor”.

    Araújo em diversos momentos chegou a embargar a voz e teve que limpar lágrimas do rosto com um lenço. Ela questionou a regularidade do processo e do julgamento pelos atos de 8 de janeiro. Disse que tinha o sonho de ser ministra da Corte, mas que hoje se envergonha do Tribunal.

    Segundo a acusação, Matheus Lázaro invadiu o Congresso em 8 de janeiro, e foi preso na região da Praça do Buriti, a cerca de 5 quilômetros da Praça dos Três Poderes.

    Ele é acusado de cinco crimes pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por ter participado dos ataques que levaram à invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília. São eles:

    • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
    • Golpe de Estado;
    • Dano qualificado pela violência e grave ameaça, com emprego de substância inflamável, contra o patrimônio da União e com considerável prejuízo para a vítima;
    • Deterioração de patrimônio tombado;
    • Associação criminosa armada.

    Conforme a advogada, não há provas, como imagens, de que Lázaro invadiu prédios públicos. Segundo ela, o réu não teve tempo de vandalizar os locais, de acordo com fotos registradas em seu celular.

    “15h53 ele estava em cima do telhado [do Congresso]. As 16h36 está ele lá em cima, do lado do Congresso, lá pra cima. 16h45 tá ele lá perto da rodoviária”, afirmou.

    “Em que momento o senhor Matheus teve de entrar nos três prédios e quebrar tudo? Em cinco minutos, só se ele fosse um super-homem. Com poderes especiais. Como ser humano, um menino, 23 anos, com um filho recém-nascido. Nasceu agora, quando ele estava preso. Acabou de completar 24 anos, preso”.

    Ela também disse que não se pode relativizar a presunção de inocência. “A constituição não permite que o princípio da inocência seja quebrado. Ninguém será considerado culpado, e quando falo culpado me refiro a chamá-los de golpistas, terroristas e outros nomes pejorativos antes do trânsito em julgado”, declarou, em uma referência indireta ao relator, Alexandre de Moraes.

    Nesta quinta, o STF já analisou o caso de outros dois réus. Condenou Aécio Lucio Costa Pereira a 17 anos de prisão, multa de R$ 44 mil e indenização de R$ 30 milhões por danos morais coletivos a ser paga solidariamente (em conjunto) com demais condenados. Ele invadiu o Senado.

    A Corte também formou maioria para condenar Thiago de Assis Mathar a uma pena de 14 anos de prisão, além de multa e indenização, pela sua participação nos atos de 8 de janeiro. Ele invadiu o Palácio do Planalto. Seu julgamento foi suspendo para aguardar a manifestação do ministro Luiz Fux, que não estava no plenário no momento.

    Esses casos são os primeiros relacionados aos atos de 8 de janeiro julgados pelo STF.

    Veja também: STF condena segundo réu do 8 de janeiro a 14 anos de prisão

    Quem é

    Com 24 anos de idade, Matheus Lázaro mora em Apucarana (PR) onde trabalha de entregador. Veio de ônibus de sua cidade até Brasília, e disse em depoimento que pagou pelas despesas da viagem.

    Chegou na capital federal na manhã de sábado de janeiro, e montou acampamento na região do QG do Exército. A alimentação ficou por conta dos organizadores, que forneciam comida em refeições periódicas servidas em barracas no local.

    No domingo, 8 de janeiro, conforme o depoimento, caminhou em direção à Esplanada dos Ministérios. Ele disse que já havia muitas pessoas na Praça dos Três Poderes e dentro do Congresso, no momento em que chegou no local. Ele subiu a rampa da sede do Legislativo e ficou no teto do edifício, ao lado das cúpulas, orando e registrando o movimento com celular.

    Lázaro também entrou no Congresso quando o local já estava tomado por manifestantes. Ele circulou dentro de algumas salas. Quando policiais começaram a jogar bombas, ele resolveu voltar ao acampamento, subindo de volta pelo Eixo Monumental pelo mesmo caminho que havia feito horas antes.

    Na altura do estádio Mané Garrincha, Lázaro foi abordado por policiais militares e começou a correr. Foi preso por policiais na região da Praça do Buriti. Ele estava carregando um canivete.

    Em seu celular, os investigadores encontraram conversas dele com sua esposa, na época grávida. A mulher demonstrou preocupação com os desdobramentos dos ataques que acompanhava pela televisão.

    Em áudio enviado às 16h36, Lázaro disse para ela que “tem que quebrar tudo, pra ter reforma, pra ter guerra… Pro exército entrar”. “A gente tem que fazer isso aí pro exército entrar, e todo mundo ficar tranquilo. O exército tem que entrar pra dentro”, afirmou na ocasião.

    Ele também disse à mulher que era preciso uma intervenção militar para o Exército tomar o poder. Lázaro segue preso. De dentro da Papuda, não viu o nascimento do seu primeiro filho, em 29 de junho.