Debate 360: Gleisi Hoffmann e Vitor Hugo discutem operação da PF contra Witzel
Enquanto a deputada petista diz desconfiar do caráter midiático da operação, o líder do governo na Câmara diz que não se deve suspeitar da lisura da PF
Com a deflagração da operação Placebo, da Polícia Federal, que realizou busca e apreensão no escritório e casa do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), sobre supostos contratos ilegais na área da saúde para a compra de equipamentos no combate a Covid-19, a CNN promoveu debate entre os deputados federais Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Vitor Hugo (PSL-GO).
Para Gleisi, é um “absurdo ver desvios na saúde e os responsáveis devem ser punidos”. Ela, no entanto, se mostrou preocupada com a utilização “política” da Polícia Federal e disse que os fatos trazem coincidências que devem ser analisadas. “Bolsonaro levantou sua voz contra governadores e de repente, um mês depois, acontece o que ele diz que iria fazer. Me parece que a política pautou a polícia, temos que evitar isso.”
“A PF é uma polícia de estado, é um absurdo questionar a lisura dos delegados da instituição,” rebateu Vitor Hugo, que disse que essas operações não “saem da cabeça dos delegados”, mas que antes de serem deflagradas, elas passam por todo um processo de apuração. Vitor Hugo disse também que as investigações sobre governadores devem ser aprovadas pelo Superior Tribunal de Justiça, o que para ele é prova de que não há conluio na PF.
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Já para Gleisi, “Bolsonaro deixou claro no vídeo da reunião que iria proteger os filhos” e que o governo só “olha para seu umbigo”. Ela questionou as ações do poder executivo contra a Covid-19. "O Brasil tem 30 mil mortos pela Covid e o governo diz 'e daí?' Qual a ação do governo para salvar as pessoas e a economia?”
Já Vitor Hugo disse que o “governo fez mais de 600 ações no Congresso” e ressaltou que o governo é “altivo” e que está lá para “resolver problemas.”
Por sua vez, Gleisi disse não ser contra a investigação, mas questionou o caráter midiático da operação realizada nesta terça-feira (26). “Questiono as coincidências: se falou de prender governadores e a operação foi deflagrada um mês depois.”
“Toda irregularidade que aconteça será investigada, independentemente de ser desafeto do presidente,” rebateu Vitor Hugo. “Os indícios que estão sendo levantados devem ser analisados o mais rápido possível.”